2020

[ PT ]


Não me quero esquecer de 2020.


Estamos na reta final do que foi o ano, digamos, mais complexo (e estou a ser simpática, eu sei) dos últimos tempos. Isto é que foi abrir uma década nova... Estamos cansados, eu sei. Estamos tristes, estamos saturados... Estamos, definitivamente, prontos para entrar em 2021 com os dois pés. Só o facto de estarmos aqui, a um dia de fechar o ano, é uma vitória - não se esqueçam disso.


Todos perdemos alguma coisa em 2020. Seja a nível pessoal - desde saúde (tanto física como mental) a alguém próximo de nós, como a nível profissional - oportunidades, lugar no mercado, enfim... Não acredito que haja alguém a caminhar neste planeta que não tenha perdido alguma coisa, e isso nem tem que estar relacionado com a pandemia que não nos larga, mas o peso e a dificuldade de lidar com tudo foi definitivamente agravada por ela. Tenho pensado muito em tudo o que ficou por fazer, nos objetivos que não cumpri e nas oportunidades que perdi. É fácil para mim entrar num buraquinho e encontrar estampados na parede tudo o que não consegui fazer. Também é fácil ficar lá fechada, completamente presa por todas as falhas. E lá fico, até ao momento em que obrigo a minha cabeça a parar um bocado, respiro fundo e começo a contar tudo o que de genuinamente maravilhoso aconteceu este ano. Sim, porque uma montanha russa desce depressa, mas também sobe, e é nessas subidas que vemos as paisagens mais bonitas (poeta). Com isso em mente - e acreditem que me debati sobre se deveria fazer isto ou não, usei a premissa do #TopNine no Instagram (que, para os meus heróis que não acompanham a rede social, é algo que se costuma fazer no final de cada ano, aglomerando, num só, os 9 posts mais apreciados pelos seguidores de cada conta) e criei o meu próprio Top 9, com os momentos que fizeram com que não consiga enviar 2020 pelo cano:



01. Um salto para a água

Definitivamente um ponto bem alto de 2020. Algo pelo qual dei absolutamente tudo o que tinha, e do qual (estranhamente) me orgulho imenso. É a este livro que estão associados praticamente todos os objetivos que não consegui cumprir, é certo, mas também é ligado a ele que estão todas as melhores memórias do ano (e do projeto). Estas páginas são o culminar de um ano de puro trabalho e esforço - desde encontrar uma casa que acredite nelas para as trazer ao mercado, a encontrar uma voz que considere boa o suficiente para causar algum impacto. É a primeira coisa que fiz que estimo, do fundo do coração. Não pensei fosse, tão cedo, conseguir sentir algo que não insegurança em relação a uma criação minha, mas aqui estamos.


02. Cultura Editora

Eis a verdadeira razão pela qual a maior parte desta lista ser uma realidade. Encontrei uma equipa que acredita nos meus heróis, que os vê como eu os vejo, e que tem tempo e paciência para encontrar um equilíbrio entre os meus sonhos e caminhar com os pés na terra. São heróis, por tudo o que têm a ensinar, tudo o que dão e tanto mais.


03. Infinitebook x Heróis sem Capa

Um projeto que sabe a casa. Como tudo o que faço com este projeto (e não só), muito tempo e dedicação foram dados a esta colaboração. O que começou com uma ideia fora do normal, converteu-se numa aposta de uma empresa inovadora (gerida por um amigo de infância) que pretende revolucionar a maneira como olhamos para o papel - e está a conseguir. O caderno de atividades para crianças que saiu em junho é eterno. Apresenta uma combinação infinita de soluções e fomenta a criatividade a cada página que se encontra. Foi um verdadeiro desafio, que valeu imenso a pena. E quem sabe o que poderá vir a seguir?


04. Nuvem Vitória

Ainda me parece surreal que uma das associações que mais admiro em Portugal me tenha convidado para uma conversa em direto. Não sei bem o que dizer sem ser um obrigada gigante à incrível Fernanda Freitas, não só por ter criado um projeto que ajuda verdadeiramente tantas crianças hospitalizadas - de um valor imensurável, como também por me ter dado a oportunidade de falar ao mundo (ou pelo menos a todos os que simpaticamente assistiram) dos meus heróis - que, no final do dia, são o que mais importa. Foi por causa desta conversa que o projeto ganhou algum nome no Instagram, tendo recebido um grande volume de novos heróis, algo que nem sei como agradecer.


05. Associação Sanfilippo Portugal x EMA - Escola de Música e Artes x Heróis sem Capa

Este projeto roubou-me o coração. Juntaram-se duas das minhas pessoas favoritas no mundo a uma família que, agora, faz também parte das minhas pessoas favoritas, a uma história que merece ser contada, cantada e gritada ao mundo, e a uma vontade imensa de estar presente para alguém que, até então, conhecia pouco mais do que rejeição. O livro e a música que sairam desta colaboração são, juro-vos, o resultado de umas quantas pessoas que querem genuinamente saber, tendo todas elas desempenhado um papel fundamental para chegarmos onde estamos agora: com um livro na mão e uma música que não nos sai da cabeça. Tudo isto foi totalmente inesperado, mas acho que é isso que faz com que seja tão especial.


06. Feira do Livro de Lisboa

Acho que não há nada que eu possa dizer sobre este evento que não tenha já dito, mas a verdade é que, nos dias em que tudo corre mal (que não faltam, sejamos honestos), é deste dia que me lembro. É o apoio e o carinho que senti que me dão vontade de me levantar a seguir. Tinha que ficar marcado aqui na lista.


07. Natal Solidário

Eis algo que tinha na minha lista de objetivos do projeto desde o derradeiro início. Desde o dia 0. Ainda que acredite que não tem que ser apenas no Natal que olhamos à nossa volta e reparamos em quem precisa e pode ter a nossa ajuda, não há melhor altura para ver que, realmente, juntos, conseguimos chegar muito longe. Tanto a família da Mafy, como do Andy, como do Leny, receberam imensa ajuda, e isso é indescritível. Ver o quão generosas as pessoas conseguem ser deixa-me sem palavras (e de lágrimas nos olhos). Obrigada, heróis.


08. Associação Portuguesa de Neurofibromatose x Heróis sem Capa

A primeira associação com quem trabalhei :) só por isso já merecia o seu lugar nesta lista (ainda que o início da nossa colaboração me pareça bem mais longínquo que o início de 2020 - este ano foi estranho), mas é verdade que ainda temos bastante para caminhar. Ainda está para vir um livro de aventuras à volta da Neurofibromatose. 2021 aguarda!


09. Podcast Imperdíveis

Também me parece surreal que isto tenha acontecido. Foi a primeira vez que fui entrevistada para um jornal (e logo o Observador), a primeira vez que participei num podcast... Wow, só. Tenho que agradecer à Laurinda, uma vez mais, pois foi quem me deu a oportunidade e tem sido um bom e honesto apoio desde o primeiro e-mail que lhe enviei. Teria mais para dizer, com certeza, se tivesse ouvido o podcast depois de o gravar, mas confesso que não tenho coragem - há qualquer coisa em ouvir a minha voz que não me permite fazê-lo, mas sei que poder ter falado nos meus heróis que me inspiraram a criar este projeto vale pelo resto.


Não me quero esquecer de 2020, tanto pelas partes maravilhosas, como pelas partes piores. Não me quero esquecer das lágrimas, nem da falta de ar, nem dos pensamentos corrosivos. Não me quero esquecer da ansiedade, da insegurança e da vontade de desistir. Não me quero esquecer das palavras, as que me deixaram na cama e as que me tiraram dela. Não me quero esquecer do que aprendi nem do que quis largar. Não me quero esquecer do brilho nos olhos de um herói quando sente que é reconhecido. Muito menos quero esquecer-me de quem partiu e deixou um vazio por preencher.


A verdade é que, este ano, no meio de tanta coisa que me foi ensinada (desde os cursos online a breakthroughs dentro da minha própria mente), aprendi a valorizar verdadeiramente o lado mau de tudo. Dei-lhe a importância que merece (vá, muitas vezes também lhe dei a que não merece), porque se não fosse para sentirmos os dois lados da moeda em cada situação, porque é que passaríamos por tudo o que passamos? E é isso que eu peço para 2021. Definitivamente, que seja um ano BEM MAIS SIMPÁTICO que 2020, mas sem pressão - já vimos o que esperarmos demasiado de um novo ano pode trazer, e no fundo, o importante não é a alteração do último algarismo da data, somos nós quem precisa de mudar. Que venha o bom, o maravilhoso, mas que venha também o menos bom - não precisa de vir outra pandemia ou de se prolongar esta (nem nada parecido, obrigada), mas que venha a moeda por inteiro, e que se consiga ultrapassar os momentos difíceis com a presença uns dos outros. E com abraços, sinto falta dos abraços.


Obrigada por estarem desse lado, e por terem feito com que 2020 não fosse inteiramente detestável. Espero que tenham encontrado, neste projeto, uma luzinha para os dias mais complicados.



Até 2021, heróis! Stay safe <3




[ EN ]


I want to remember 2020.


We're at the finishing line of what was, let's say, the most complex year (and I'm being nice, I know) as of recently. This is how we entered a new decade... We're tired, I know. We're sad, we're saturated... We're definitely ready to enter 2021 with both our feet. Just the fact that we're here, one day before the end of the year, is a victory - don't forget that.

We all lost something in 2020. Be it on a personal level - from our health (both physical and mental) to losing someone close to us, as well as on a professional one - opportunities, a place in the market... I don't believe there's anyone walking on this planet who hasn’t lost something, and it doesn’t even have to be related to the pandemic either, but the weight and the difficulty of dealing with everything was definitely made worse by it. I've been thinking a lot about everything that wasn't done, the goals I didn’t achieve and the opportunities I missed. It's easy for me to get into a little dark bubble where, written all over it are all the things I couldn't do. It's also easy to stay there, closed up, completely trapped by every single of my flaws. And I do stay there, until the very moment I force my head to stop, take a deep breath and start counting everything that was genuinely wonderful this year. Yes, because a roller coaster does go down quickly, but it also goes up, and it is on those climbs that we get to see the most beautiful landscapes (I'm a poet). With that in mind - and believe me I was debating whether to do this or not, I used the premise of #TopNine on Instagram (which, for my heroes who don't follow the social network, is something that's usually done at the end of each year, agglomerating, in one, the 9 posts most appreciated by the followers of each account) and created my own Top 9, with the moments that made it impossible to send 2020 down the pipe:

01. Um salto para a água

Most definitely a very high point of 2020. Something for which I gave absolutely everything I had, and which (strangely) I'm immensely proud of. This book is associated with practically all the goals that I was unable to fulfil, it's true, but it's also linked to what are all the best memories of the year (and the project). The pages are the culmination of a year of pure work and effort - from finding a home that believes in them to bring them to the market, to finding a voice that I believe is good enough to make an impact. It's the first thing I've ever done that I cherish, from the bottom of my heart. I didn’t think I would be able to feel something other than insecurity about any of my creations this early in life, but here we are.

02. Cultura Editora

This is the real reason why most of this list is a reality. I found a team that believes in my heroes, that sees them as I see them, and that has time and patience to find a balance between allowing me to dream and to get me to walk with my feet on the ground. They're heroes, for everything they have to teach, everything they give and so much more.

03. Infinitebook x Heroes without Cape

A project that smells like home. Like everything I do with this project (not only, but also), a lot of time and dedication was given to this collaboration. What started with an unusual idea, has become something supported by an innovative company (run by a childhood friend of mine) that wants to revolutionise the way we look at paper - and is succeeding at that. This activity notebook for children that came out in June is eternal. It presents an infinite combination of solutions and fosters creativity on every single page. It was a real challenge, but insanely worth it. And who knows what might come next?

04. Nuvem Vitória

It still seems surreal to me that one of the organisations I most admire in Portugal invited me for a live conversation. I'm not sure what to say except for a giant thank you to the incredible Fernanda Freitas, not only for creating a project that truly helps so many hospitalised children - something of an immeasurable value, but also for giving me the opportunity to speak to the world (or at least everyone who sympathetically watched) of my heroes - who, at the end of the day, are what matters most. It was because of this conversation that the project gained some track on Instagram, having received a large volume of new heroes, something I don't even know how to thank for.


05. Association Sanfilippo Portugal x EMA - School of Music and Arts x Heroes without Cape

This project stole my heart. When you put together two of my favourite people in the world, a family that is now also part of my favourite people, a story that deserves to be told, sung and shouted to the world, and an immense desire to be there for someone who, until then, knew little more than rejection, you get magic. The book and song that came out of this collaboration are, I swear to you, the what happens when you get a few people who genuinely care together, having each and every one played a fundamental role in getting us to where we are now: with a book in hand and song that we can’t seem to get out of our heads. All of this was totally unexpected, but I think that’s what makes it so special.


06. Lisbon Book Fair

I think there’s nothing I can say about this event that I haven’t already said, but the truth is that, on those days when everything goes wrong (of which there is no shortage, let's be honest), this is the day I remember. It’s the support and affection that I felt that made me want to stand on my feet again. It had to be here on the list.

07. Solidarity Christmas

Here's something I had on my list of project goals since the very beginning. Since day 1. Even though I believe that it doesn't have to be just at Christmas that we look around and notice who needs and can have our help, there’s no better time to see that, together, we really can manage to get far. Both Mafy's family, Andy, and Leny's, received an immense amount of help, and that’s just indescribable. Seeing how generous people can be leaves me speechless (and with tears in my eyes). Thank you, heroes.

08. Portuguese Association of Neurofibromatosis x Heroes without Cape

The first association I worked with :) Just for that reason alone it already deserved its place on this list (even though the beginning of our collaboration seems far more distant than the beginning of 2020 - this year was strange), but it is true that we still have a lot to go through. A book of adventures around Neurofibromatosis is yet to come. 2021 awaits!


09. The Imperdíveis Podcast

It also seems surreal to me that this happened. It was the first time that I was interviewed for a newspaper (the Observador, of all of them), the first time that I was in a podcast... Just wow. I have to thank Laurinda, once again, as she was the one who gave me the opportunity and has been a good and honest support since the first email I sent her. I would have more to say, for sure, if I had listened to the podcast after recording it, but I must confess that I’m not brave enough to do so - there’s something about hearing my own voice that doesn’t allow me to do it, but I know that being able to talk about my heroes who inspired me to create this project is the most worthwhile.

I want to remember 2020, both for the wonderful parts of it and for the worst ones. I want to remember the tears, the shortness of breath, the corrosive thoughts. I want to remember the anxiety, the insecurity and the desire to give up. I want to remember the words, the ones that left me in bed and the ones that got me out of it. I want to remember what I learned and what I wanted to leave out. I want to remember the sparkle in a hero's eyes when they feel seen. Even more, I want to remember those who aren’t here anymore and have left an unfulfillable void.

Truth is, this year, in the midst of so much that I was taught (from online courses to actual breakthroughs in my own mind), I learned to truly appreciate the downside of everything. I gave it the importance it deserves (well, I most often gave it the importance it didn’t deserve), because if it weren't for us to feel both sides of the coin in each situation, why would we go through everything we go through? And that’s what I’m asking for 2021. Definitely, that it be a WAY NICER year than 2020, but no pressure - we have already seen what expecting too much from a new year can bring us, and basically, the one important thing is not to change the last number on a date, we’re the ones who need to change. May the good and the wonderful come, but also the not so good - there’s no need for another pandemic or for this one to last much longer (or anything like that, thank you), but for the whole coin to come, and to overcome the tough moments with each other's presence. And with hugs, I miss the hugs.


Thank you for being on that side, and for making 2020 not entirely hateful. I hope you have found, in this project, a little light for the most complicated days.

Until 2021, heroes! Stay safe <3

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