Bazy

Olá, meus queridos heróis!


É o dia do herói do mês (iupiiiii)! Este maio trago-vos alguém que não só é a pessoa mais bondosa que já conheci na minha vida como é também alguém que, no meio de tanta correria que define a sua vida, encontra sempre um bocadinho de tempo e espaço para irradiar a sua luz. Trago-vos também um tema que, muito sinceramente, nunca antes tinha captado a minha atenção: a adoção.


Não é segredo que nasci numa cidade pequena, cheia de tabus e temas que ninguém podia falar. Diversidade não era, nem pouco mais ou menos, uma das grandes palavras-chave que definiam a cidade. Durante os 18 anos que lá vivi, conhecia uma pessoa que tinha sito adotada, e todo tema era muito de segredinhos - não sei porque era assim e também nunca perguntei, visto que achava que iria ser indelicado da minha parte fazê-lo. Até hoje, o meu conhecimento sobre o tema extende-se a isso. Ocasionalmente, sigo uma ou outra história que vai aparecendo, ou vejo um filme sobre o tema, mas nunca fiz assim nenhuma pesquisa de jeito sobre a adoção. Bom, até agora.


Apresento-vos o Bazy, o herói do mês de maio. O homem que me inspirou de tal maneira que não havia outra solução que não criar este herói chama-se Peter Mutabazi. Alguns de vocês são capazes de o conhecer, outros não, mas mesmo que conheçam, espero que consigam sentir a luz que passa entre as minhas palavras enquanto conto a sua história.


O herói que vos trago hoje vem do outro lado do oceano. Vá, na verdade, nasceu no Uganda. Eventualmente mudou-se para os Estados Unidos e tornou-se cidadão americano. É um sobrevivente. Fugiu de uma casa abusiva, de um ambiente que não conhecia o amor e o apoio, quando tinha apenas 10 anos. Um tempo mais tarde, a sorte sorriu-lhe e encontrou uma figura paternal e uma família que o ajudaram a ter uma educação e lhe ensinaram aquilo que todos já devíamos saber: que ele é uma dádiva.


A história do Peter faz-me chorar sempre que a leio - e já a li várias vezes. Mesmo agora, enquanto escrevo este texto, tenho lágrimas a escorrer-me dos olhos. É bastante difícil para mim imaginar uma criança de 10 anos de tal maneira assustada que a sua única opção era fugir de casa. Que foi o que aconteceu. E estar, depois, 4 anos a fazer tudo o que podia e não podia para sobreviver, a lutar pela mais mínima hipótese de ter uma boa vida... Enfim. Não tenho palavras. O que conforta realmente é saber que houve um casal que olhou para este herói e viu um futuro. Deram-lhe tudo o que uma criança merece - um lar estável, comida, água, carinho, cuidado e educação. Acima de tudo, ajudaram-no a lidar com os seus traumas e ensinaram-no a valorizar-se como sempre tinha merecido fazê-lo. Estar agradecida pela existência deste casal é o mínimo dos mínimos.


Tudo o que lhe aconteceu, em particular ter sido acolhido pela sua nova família, inspira-o a viver a vida como a vive agora: quer dar, a tantas crianças quanto possa, o mesmo cuidado e oportunidades que os seus pais de acolhimento lhe deram a ele. E é isso mesmo que tem andado a fazer. Já acolheu 16 crianças e adotou legalmente 1 adolescente (inserir dança feliz aqui)! Na verdade, foi a história da adoção do seu filho Anthony que me apareceu na timeline e instantaneamente me chamou a atenção (um miúdo que era suposto ficar em casa do Peter por um fim-de-semana e acabou por nunca ir embora - viram, um no outro, tanto deles mesmos que não podiam separar-se). Desde então, a sua família tem vindo a crescer: entre continuar a acolher crianças, está no processo de adotar um outro rapaz adolescente e tem dois cães amorosos! Aliás, de momento, são uma família de 7 (o Peter, 4 filhos e 2 cães)!!! Quão incrível é isto?


A bondade no coração do Peter pode ser testemunhada através de tudo o que ele faz, especialmente os vlogs que deixa, semanalmente, no seu canal do YouTube. São discretos, protegem as crianças (apenas as caras do Peter e do Anthony são mostradas) e estão repletos de alegria! Como visualizadores, acompanhamos a familia tanto através dos momentos felizes como dos mais complicados, e é uma experiência que aquece realmente o coração. Mas atenção, o trabalho do nosso herói do mês não para aí! Ele quer fazer ainda mais, por ainda mais crianças. É por isso que ele e o Anthony criaram a Now I Am Known, que defende tudo aquilo em que eles acreditam e grita as suas frases de afirmação favoritas: és visto, és ouvido, pertences, és uma dádiva, não estás sozinho, és especial, és corajoso, és reconhecido.


Da maneira como eu vejo a coisa, o processo de adoção não tem como ser fácil. Não é fácil começar, não é fácil ter resposta e, definitivamente, não é fácil a partir do momento em que acontece. Há milhares de crianças que crescem no sistema e nunca têm uma casa a longo-prazo. Há outras milhares que têm e que eventualmente voltam ao sistema - as histórias que se lêem são de partir o coração. Há, no entanto, outras milhares de crianças que sim, que conseguem ser adotadas por famílias que as adoram e lhes proporcionam uma boa vida... Felizmente existem vários Peters e Anthonys espalhados pelo mundo, que podem confirmar a necessidade de crescer num ambiente de amor e carinho.


Isto tudo também acontece em Portugal, mesmo que eu sinta que ninguém fala sobre o assunto... O processo da adoção é tão lento e cansativo que não posso deixar de me questionar se não estamos a fazer algo mal. Compreendo que escolher um lar para as crianças é uma responsabilidade de ALTO nível, mas olhar para os números e fazer alguma pesquisa sobre tudo o que a adoção implica (como, por exemplo, as licenças de maternidade/paternidade serem basicamente escolha do empregador, por não haver uma legislação clara sobre o assunto), deixa-me com um sentimento de que existe uma catrefada de coisas que estão no caminho de fazer este processo ser mais suave e melhor para tanto as crianças como os pais envolvidos! Atenção, não sou expert no assunto, posso apenas falar sobre o que fui encontrando.


A história do Peter começa numa nota agoniante. Ter a força de conseguir mudar a sua vida, permitir que o ajudem e, agora, passar a mensagem para tantas crianças que precisam do impacto positivo é... Bom... O trabalho de um verdadeiro herói. E já vos disse que é a pessoa mais simpática que já conheci? Tem sido tão paciente e carinhoso comigo, que se ainda ninguém estiver a planear erguer uma estátua em sua honra, sou capaz de ter que ser eu a pôr esse projeto a andar!


Espero que tenham gostado de ler sobre o Peter, e que o Bazy vos relembre que são vistos, reconhecidos e que não estão sozinhos. E que há sempre tempo para mudar o rumo das coisas - ou pelo menos tentar.


Deixo-vos com um convite para espreitarem o website da Now I Am Now, e já agora comprarem um Peluche enquanto por lá passam. Por cada um que comprem, outro é doado a uma criança com necessidades, e acabo de descobrir que cada par de Peluches tem um número, o que significa que uma criança terá um Peluche com o mesmo número que o vosso. Quão adorável e poderoso é isso? O coração deste homem é demasiado bom para este mundo. Vejam os links que vos deixo :)


Até breve, heróis!






Useful links:

— Now I Am Known: https://nowiamknown.com/

— Peter's Instagram: https://www.instagram.com/fosterdadflipper/

— Peter's YouTube channel: https://www.youtube.com/channel/UC7nyDaM9EbB15AMlOkKQyHw

— "Single dad adopts 11-year-old boy from foster care after biological, adoptive family abandon him": https://www.lovewhatmatters.com/at-11-abandoned-foster-care-adoption-forever-family/

— "'I'm A Black Father With White Kids. I've Been Accused Of Kidnapping Them'": https://www.newsweek.com/im-black-father-white-kids-accused-kidnapping-them-1536198

— "Peter and Newly Adopted Son Have Just Taken in A Foster Teen And Now They’re Sharing Affirmations For All Races": https://www.goodnewsnetwork.org/peter-and-anthony-take-in-foster-teen/

— Mutabazi – An Adoption Story of Love and Family: https://www.wolverinehs.org/blog/mutabazi-an-adoption-story-of-love-and-family/

— Adoption report, Portugal, Year 2019: https://www.seg-social.pt/documents/10152/17409142/Relatorio_adocao_2019/9b0c54b9-f97e-4117-9cb5-c7031ecdb99b

— "'It'll be good, but very hard'. Three ideas to have in mind when considering adoption": https://rr.sapo.pt/2018/08/09/vida/vai-ser-bom-mas-muito-dificil-tres-ideias-a-reter-para-quem-quer-adotar/especial/121056/

— How to adopt (Portugal): https://www.seg-social.pt/como-adotar




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