Cary

Atualizado: 8 de Abr de 2020

[ PT ]


Olá, heróis! Que tal estão todos?


Estamos em fevereiro, aparentemente no mês mais romântico do ano. E sabem o que é que isso significa aqui na Heróis, não sabem? É altura de conhecer a mais recente adição à equipa, o herói do mês! Ou deverei eu dizer heroína do mês? Dêem as boas-vindas à belíssima Cary! Inspirada numa mulher-maravilha (e sem capa), Carina Mendes, a Cary está aqui para representar todos os heróis que enfrentaram ou estão agora a enfrentar, que venceram e que perderam a luta contra o cancro. Reforço a ideia de que representa aqueles que, infelizmente, não conseguiram ultrapassar esta terrível adversidade porque não quero que se passe a ideia de que, tanto para mim como para o projeto, um herói é só aquele que "mata o monstro". Não, heróis não são apenas aqueles que ficam para contar a história. São todos.


A Carina, a heroína real que partilha hoje o mesmo mundo que todos nós, é uma sobrevivente ao cancro da mama, que fala da sua experiência sem medo, e que está sempre disposta a informar, ajudar e tranquilizar as demasiadas mulheres que se encontram numa situação que reconhece. Conheci-a através do Instagram (já devem estar fartos que vos diga isso, mas não há nada que possa fazer - as redes sociais têm o poder de aproximar-nos uns dos outros), creio que muito pouco tempo depois de ela criar a sua página. Nem sei bem como, encontrei-a e soube que estaria ali uma das minhas próximas heroínas. Parece mentira mas não é. Depois de uma pequena troca de mensagens muito curtas disse-lhe que queria fazer uma boneca inspirada nela (eu não vos digo? Quando me inspiram, inspiram). E foi tão simples quanto isso. A partir de aí foi conversa atrás de conversa, não apenas sobre o cancro, e com muito interesse dos dois lados fomos conhecendo partes uma da outra.


A história da Carina é, como ela diz, "como tantas outras e diferente de tantas mais". Em 4 anos, teve 2 cancros, e entre eles um bebé. No ano de 2015, teve que se submeter a uma remoção parcial do colo do útero, o que lhe reduziu as probabilidades de ficar grávida - coisa que muito desejava. Um ano depois, quando finalmente lhe deram o "ok" para tentar engravidar, conseguiu. Naturalmente, foi uma gravidez considerada de risco mas que correu da melhor forma. O pequenote, o bebé milagre, é hoje uma criança saudável e cheia de vida. É também o verdadeiro orgulho da mãe (e do pai). Em 2018, a Carina descobriu que tinha cancro da mama. Os tratamentos, desta vez, provaram ser mais difíceis, mas a verdade é que conseguiu vencer. Está agora em remissão e na fase de reconstrução - fase esta que eu não fazia a mínima ideia ser tão dolorosa. Como se ter cancro não fosse suficiente, a fase de recuperação traz também dor e insegurança (ainda que misturada com felicidade).




Mafalda: Não consigo imaginar a sensação de receber um diagnóstico como o cancro, mas penso que talvez, para mim, o confronto com essa realidade fosse o mais difícil de lidar (refiro-me ao peso emocional do diagnóstico). O que dirias que foi, para ti, o mais difícil de lidar/de fazer, desde o momento em que soubeste que algo não estava bem até hoje?


Carina: Sem dúvida que receber o diagnóstico de um cancro é angustiante, mas felizmente tenho a capacidade de muito rapidamente reverter a angústia em "vamos embora que isto é para vencer". Por isso digo que a pior experiência, o pior sentimento que tive durante todo este processo foi primeiro que tudo, antes da primeira cirurgia ter medo de não acordar da mesma e nunca mais ver o meu filho. Ter medo de não ver o meu filho, na altura com 15 meses de idade, crescer foi aterrorizador e foi o único momento de desespero que tive e que jamais esquecerei. Ainda assim, tive que recusar colo ao meu filho, não pude cuidar dele algumas vezes por estar debilitada e quem é mãe sabe como isso é devastador, porque mãe dá colo sempre, em qualquer circunstância, com qualquer dificuldade, mas eu não conseguia mesmo e era horrível...




O cancro, apesar de incidir numa pessoa de cada vez, afeta todos aqueles que são próximos dessa pessoa. O marido da Carina sabe disso e demasiado bem. Ele próprio teve a sua dose, e teve que lutar já em duas batalhas: na sua própria, que venceu, e na da Carina, onde a apoiou e elevou sempre que foi necessário, e que também venceu. Quanto a vocês não sei, mas, pessoalmente, acho que esta família já sofreu o suficiente.




M: Falaste-me da coincidência no facto de que, na primeira semana de quimioterapia, soubeste que ias poder concretizar um dos teus sonhos. Até que ponto dirias que é importante ter objetivos/motivações externas (seja a nível familiar, profissional e/ou pessoal) quando se está a passar por uma situação como, por exemplo, tratamentos tão invasivos?


C: Como em tudo na vida, ter objectivos dá-nos outra motivação.


Nesse momento em particular, recordo-me que pensei "caramba, não há coincidências, isto tem que significar alguma coisa, tenho mais uma coisa a que me agarrar!" e tendo em conta que tive muito apoio familiar neste projecto para que ele arrancasse 'sem mim' enquanto eu estava a tratar-me, ainda mais

motivação me deu.




Não quero estar aqui a desvendar o projeto ao qual nos referimos, não só pela parte supersticiosa dentro de mim, como também quero que o momento seja inteiramente da Carina, merece-o. Mas não se enganem, vou carregar as redes sociais do projeto com informação sobre ele assim que o puder fazer! Entretanto, permitam-me que vos diga que concordo plenamente com o que ela diz. Passar por momentos extremamente difíceis na nossa vida é inevitável, e termos algo externo em que nos debruçar ajuda-nos a sarar as feridas (no sentido literal e no metafórico). Quer dizer, este projeto é isso mesmo.


A Carina fala de coração aberto sobre a totalidade da sua experiência. Fica vulnerável, é certo, mas ao mesmo tempo torna-se impenetrável, pois sabe que partilhar a sua história ajudará alguém, e que isso valerá sempre a pena.



M: Não há sombra de dúvidas que és maravilhosa e que tens uma força invejável, e não podia dizer-te com mais orgulho que, para mim, és uma heroína. Quem te deixa assim, com corações nos olhos, e está presente na tua vida? Quem são os teus heróis?


C: Derretes-me com essas palavras sabias? Posso dizer o mesmo de ti. Este teu trabalho não tem palavras e só te tenho a agradecer acima de tudo pelo carinho. Tu também és uma heroína!


Em primeiro lugar, o meu filho é o meu herói, por tudo o que significa para mim e por também ele, mesmo pequenino, ter superado esta má fase. A minha família (marido, filho e pais) são os meus Heróis de sempre e para sempre.


Mas há um "grupo de pessoas" por quem tenho uma consideração muito grande e especial: todos os lutadores de cancro, os que partiram, os sobreviventes e os que continuam a lutar, os que lutam toda uma vida contra um cancro e não baixam armas. Pois eu sei o quão difícil e injusto é lutar contra esta doença. É pela minha família e por todos os que lutaram e lutam que eu também luto e tento ajudar da melhor forma possível.




Nunca tomarei isto como garantido. Sempre ouvi dizer que não devemos conhecer os nossos heróis, mas não sei... Todos os que já conheci só superaram as minhas expectativas. Há camadas e camadas por dentro de uma pessoa, e quando somos transparentes, não há como desiludir.


Conhecer a Carina foi sem dúvida das minhas coisas favoritas que 2019 me trouxe. A amabilidade, paciência e inteligência com que estão carregadas as suas palavras só me deixam sem as minhas, no melhor dos sentidos. Vão mostrar o vosso amor à Carina, que o merece mais do que deixa transparecer. Deixo os links de como a podem encontrar antes de desvendar a boneca :)


Espero que tenham gostado de conhecer a Cary e a Carina, duas heroínas fortes e impactantes. Falamos em breve, heróis!


Se quiserem encontrar/contactar a Carina, eis como o podem fazer:

— no Instagram: https://www.instagram.com/depoisdocancro/ // @depoisdocancro

— por e-mail: depoisdocancro@gmail.com




[ EN ]


Hi, heroes! How is everyone?


It’s February, apparently the most romantic month of the year. You know what this means here at Heroes Without Cape, right? It’s time to meet the most recent addition to our team, the hero of the month! Please welcome the gorgeous Cary! Inspired by a wonder-woman (without cape), Carina Mendes, Cary is here to represent the heroes who face, are now facing, who beat and who lost the fight against cancer. Let me reinforce the idea that she represents those who, unfortunately, couldn’t overcome this terrible adversity because I don’t want it to get across that, as much for me as for the project, a hero is one who “slays the beast”. No, heroes aren’t only those who get to stay to tell the story. It’s everyone.


Carina, the real hero who shares the same world as all of us today, is a breast cancer survivor, who talks about her experience fearlessly and is always available to inform, help and reassure the too many women who find themselves in a situation she recognises. I met her through Instagram (you’re probably sick of me saying this, but there’s nothing I can do - social media have a way of getting us closer to each other), I believe short after she created her page. Don’t quite know how, I found her and knew she was going to be one of my next heroes. Sounds fake but it isn’t. After a short exchange of DMs between us, I told her that I wanted to create a character inspired by her (what do I keep telling you? When I’m inspired, I’m inspired). And it was as simple as that. From then on came conversation after conversation, not only about cancer, and with a lot of interest from both sides we got to know parts of each other.


Carina’s story is, as she puts it “just like some and so different from many other”. In 4 years, she had 2 cancers, and between them a baby. In 2015, she had to submit herself to a partial removal of her uterus, due to cancer, which reduced her changes of getting pregnant - something she longed for. A year later, after getting the “ok” to try to get pregnant, she managed to do just that. Naturally, it was a risky pregnancy but all went the best way possible. The little one, the miracle baby, is today a super healthy and full of life child. He’s also his mother’s (and father’s) pride and joy. In 2018, Carina found out she had breast cancer. The treatments this time proved themselves to be a lot tougher, but the truth is she won the battle. She’s now in remission and in the reconstruction phase (a phase I had no idea was so painful). As if cancer wasn’t enough, recovering also brings a lot of pain and insecurity (although happiness comes in the mix too).




Mafalda: I can’t imagine the feeling of getting a diagnosis like cancer, but I believe that maybe, for me, the confrontation with that reality would be the toughest thing to deal it (I mean the emotional weight of the diagnosis). What would you say was, for you, the most difficult thin to deal with/do, from the moment you found out something was wrong until today?


Carina: Undoubtedly, receiving the diagnosis that you have caner is harrowing, but luckily I have the ability to very quickly turn that anguish in “let’s go, we have to beat this”. That why I say that the worst experience, the worst feelings I felt during this whole process was, above all else, being terrified of not waking up and getting to see my son grow up before my first surgery. It was terrifying, he was 15 months old at the time. That was the only desperate moment I had, which I will never forget. Even so, I had to refuse holding him, weren’t able to take care of him sometimes as I was so weak, and those who are parents know how devastating that is, because a mother always holds her child, no matter what, no matter the adversity, but I really couldn’t and that was horrible…




Cancer, although it happens to one person at a time, affects all those who are close to that person. Carina’s husband knows that too well. He had is dose too, and has had to fight two battles already: his own, which he won, and Carina’s, where he supported her and elevated her whenever necessary, and which he also won. I don’t know about you, but I personally believe this family has been through enough.




M: You told me about the coincidence in the fact that, in your first week of chemotherapy, you found out you were going to be able to make on of your dreams come true. To which extent would you say it is important to have goals/external motivations (on a family, professional and/or personal level) when you’re getting through something like such an invasive treatment?


C: As with everything in life, having goals give us some other kind of motivation.


In that moment in particular, I remember thinking “damn, there are no coincidences, this has to mean something, I have one more thing to hold on to!” and considering the amount of family support I had in the beginning of that project, when I wasn’t able to be there, I felt even more motivated.




I don’t want to reveal this project we’re talking about for two reasons: one, my superstitious side tells me not to and two, I want that moment to be entirely about Carina, she deserves it. But don’t be mistaken, I will shower our social media with information on it when I can talk about it. In the meantime, allow me to say I completely agree with Carina on what she says. Going through terrible hardships in our lives is inevitable, and having something external in which to fall on helps us heal our wounds (in the literal and metaphorical sense). I mean, that’s what this project is.




M: Theres no doubt that you’re wonderful and have an enviable strength, and I couldn’t tell you this more proudly but to me, you’re a hero. Who, in your life, would you say makes you feel like that, with hearts in your eyes? Who are your heroes?


C: You melt me with those words, did you know that? I can say the same thing about you. This work of yours makes me speechless and I must thank you, above all else, for the kindness. You’re a hero too!


Firstly, my son is my hero, for everything he means to me and for the fact that he too, even being so little, got through this bad phase. My family (my husband, son and parents) are my heroes of always and forever.


But there’s a “group of people” for whom I have a lot of consideration and find very special: all of the cancer fighters. Those who left, the survivors and the ones who keep fighting. Those who fight cancer throughout their whole lives and don’t lower their weapons. For I know how unfair and hard it is to fight this disease. It’s for my family and all of those who fought and fight that I fight too and try to help the best I can.




I’ll never take this for granted. I always heard we should never meet our heroes, but I don’t know… All the ones I’ve met surpassed my expectations. There are layers and layers inside a person, and when we’re transparent, there isn’t how to disappoint.


Meeting Carina was definitely one of my favourite things 2019 brought me. The kindness, patience and intelligence in her words only take mine away from me, in the best way possible. Go show some love to Carina, who deserves it more that she lets it transpire. I’ll leave links on how you can find her at the end :)


I sincerely hope you enjoyed meeting both Cary and Carina, two impactful and strong heroes. We’ll talk soon, heroes!




In case you want to find/contact Carina, here’s how you can do so:

— on Instagram: https://www.instagram.com/depoisdocancro/ // @depoisdocancro

— by e-mail: depoisdocancro@gmail.com

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