Daisy

Olá, olá, meus heróis!


Espero que estejam bem, que se sintam plenos. Prontinhos para desconfinar com calma e um sorriso por trás da máscara :)


Estamos aqui, hoje, reunidos, para, uma vez mais, conhecermos o herói do mês - corrijo, a heroína do mês. E aaaaai, heróis, não sei se estão preparados para quem vos trago hoje! Digo-vos, assim que a "encontrei", soube que tinha que a apresentar. Tinha que a tornar uma heroína do mês! Esta heroína traz uma perspetiva refrescante sobre um tema pesado. Apaixonei-me por completo pelo que faz, desde o momento em que a Carina (mais conhecida, aqui no projeto, como Cary) a convidou para um direto do Instagram e devo dizer-vos que quase de certeza que vos acontecerá tal e qual assim que acabarem de ler este post.


Sem mais demoras, apresento-vos a Daisy, a heroína do mês de abril. Inspirada na maravilhosa Mónica Santos Faria, uma mulher de armas que usa o luto como combustível para mover o trabalho que está a fazer a diferença na vida de muita gente. Sim, eu sei que Daisy não deriva de Mónica, e que é costume o nome de Herói sem capa ser semelhante ao nome do herói real... Já lá vamos :)


Devo dizer, desde já, que encontro na história da Mónica muito da minha. Nas bases, principalmente. A maneira como deposita o seu coração no seu trabalho, e como se dedica ao que faz por razões tão fortes e tão exclusivas a ela... Enfim. Estou a precipitar-me.


A Mónica sabe o que é o luto. Sabe-o demasiado bem. Infelizmente viu a sua maior heroína, a sua mãe, passar por um cancro silencioso que a levou demasiado cedo. Esteve presente em todos os bons e todos os péssimos momentos da viagem, da mesma maneira que esteve presente no fim. Não hesitou dar um único passo que não acompanhasse a sua mãe, mesmo que isso a destruísse por dentro - que destruiu, como não podia deixar de ser. No entanto, no meio deste doloroso caminho, a Mónica descobriu, com a ajuda da sua mãe Margarida, o seu lugar: a estética oncológica e paliativa. Se forem como eu, sortudos e ignorantes (no bom sentido da palavra), nunca tal tema vos foi abordado - pela lógica reconhecem o significado da coisa, mas não sabem exatamente do que se trata. Pois bem, sob a forma de uma promessa, a Mónica dedica-se de corpo e alma ao tratamento estético de heróis que vivem com um diagnóstico complicado.




Mafalda: Tudo o que fazes nasce de uma promessa que fizeste à tua mãe. Sentes que, sem esse momento decisivo, terias encontrado o teu "chamamento" e estarias hoje a mudar a vida de tantas pessoas desta maneira?


Mónica: Acho que a Estética Paliativa ia surgir na minha vida. Mais tarde ou mais cedo. A estética paliativa escolhe a quem toca, e nós recebemos o privilégio de poder ser acolhidos. Por essa magnífica forma holística de Cuidar que a Van (a Formadora) nos passa e ensina. Podia ser mais tarde, mas ia lá chegar…




Holistic Daisy é o nome do projeto de estética oncológica e paliativa da Mónica (já perceberam porque é que a sua versão heroína sem capa se chama Daisy, certo? eheh). É um tributo à sua mãe, que era amor e luz personificados. É a maneira de atribuir um significado positivo a tudo o que aconteceu. É colocar o fator humano em primeiro lugar - antes de serem doentes, são humanos (algo que parece demasiado simples e claramente lógico, mas que é tão frequentemente esquecido). É como a Mónica lida com a sua dor e é como mantém a sua mãe perto de si. E isto eu compreendo a 100%. Este meu projeto nasceu, vocês sabem, da minha incapacidade de lidar com a perda. O que me ajuda, todos os dias, a homenagear e a manter quem perdi perto de mim é trazer-vos pessoas como a Mónica, que são verdadeiras heroínas e que estão a mudar significativamente a vida de muita gente.


Como podem imaginar, quando alguém passa por um cancro ou um diagnóstico neurodegenerativo (sim, porque a Mónica não ajuda apenas os seus "carequinhas", ajuda também heróis com Alzheimer, por exemplo), os tratamentos a que as pessoas são sujeitas modificam, e muito, tanto o seu corpo como o seu estado mental. A auto-estima dessas pessoas torna-se uma bela de uma montanha-russa, e por vezes torna-se complicado aceitar as inevitáveis mudanças... É aí que entra a Mónica, com os seus tratamentos de beleza e as suas massagens linfáticas - da mesma maneira que o fazia com a sua mãe, para a ajudar a sentir-se mais ela própria.




Mafalda: De todas as pessoas que acompanhas, existe alguma história que te marque especialmente? Que te tenha ensinado algo que sabes que nunca irás esquecer?


Mónica: A Andreia foi a minha primeira grande perda. Era a Fenix, renasci a das cinzas sempre. Estava em tratamento desde 2016 dum cancro de mama metastizado. Parou os tratamentos por ter dado positivo à covid e foi o suficiente para a doença evoluir e ser fatal. Isso deixou-me com uma sensação de revolta tão grande porque quase que senti que a culpa não foi do cancro, mas do covid…




A Mónica, bem ativa nas suas redes sociais (nomeadamente no Instagram), traz, para além de beleza e de uma perspetiva brilhante sobre o cuidado universal e multidisciplinar dos doentes graves, uma questão sobre a qual eu nunca tinha dedicado tempo para pensar - outra vez, devido à benção que é a ignorância: os cuidados paliativos em Portugal. Digo em Portugal, especificamente, porque é aqui que vivemos e são esses os que temos disponíveis.


Para muitos (eu incluída, antes de conhecer a Mónica), os cuidados paliativos pensam-se estar reservados para doentes terminais, sem reservas para qualquer tratamento nem expectativa de sobrevivência. Aparentemente, não é bem assim. A verdade é que os cuidados paliativos são uma opção para o doente, desde o momento do diagnóstico e, ao contrário do que muitos pensam (de novo, eu estava aqui incluída), não é uma sentença de morte. São uma opção porque apresentam uma equipa preparada para tratar o doente sob uma perspetiva holística - o que, a meu ver, é muito importante. A medicina leva-nos muito longe, muito mesmo, mas não nos podemos esquecer de, por exemplo, o tão necessário apoio psicológico/psiquiátrico do doente. Ou, claro, do trabalho da Mónica, que se revela ser imprescindível para tantos. Agradeço verdadeiramente o esforço que tenho vindo a encontrar na desmistificação dos cuidados paliativos porque, muito sinceramente, ouvir essas duas palavras juntas sempre me trouxe um aperto no coração, como se toda a esperança se desvanecesse por completo. Tenho que dizer, claro, que a generalização é impossível e insensata - cada caso é um caso e existem doentes que são reencaminhados para os cuidados paliativos porque, infelizmente, não há nada a fazer se não tentar atenuar a dor e esperar. No entanto, traz um pouco de paz saber que não tem que ser sempre necessariamente assim.




Mafalda: Qual dirias é que é a maior lição/o maior ensinamento que levas contigo, todos os dias, e que provém do trauma de perder a tua mãe?


Mónica: Que a vida é curta demais para nos aborrecermos com pequenas coisas. Que a vida é curta demais para só usarmos uma cor de batom nos lábios para sempre.




Uma coisa que adoro na Mónica, e digo-o muito honestamente, é que ela sabe que está a mudar a vida das pessoas. Vê-o com clareza. Sabem o quão raro é encontrar alguém assim? Que encontre conforto e humildade suficiente para reconhecer que está a desenvolver um trabalho heróico que faz a real diferença na vida alguém, e não querer parar por isso mesmo?


Não faltam oportunidades nem tempo para que esta abordagem tão defendida pela minha heroína do mês de abril cresça e seja reconhecida como o colete salva-vidas que pode ser. Todos sabemos no quão conflituosa a nossa relação connosco mesmos se pode tornar, portanto imaginem um mundo sem Mónicas, cujo trabalho devolve aos doentes oncológicos (e não só) fragmentos da sua vida... Fragmentos de si mesmos.


Espero que tenham gostado de conhecer a Daisy e, consequentemente, a Mónica. Estou extremamente entusiasmada por tê-la na equipa, a sério que sim. Sou fã do que faz e de quem é. Corações partidos com esta força de vontade não se encontram com frequência.


Até breve, heróis!







Links úteis:

— Oncoestetic (website da Mónica): https://oncoestetic.wixsite.com/home

— Holistic Daisy (Instagram: https://www.instagram.com/holistic.daisy/

— Manias da Tia Daisy (blog da Mónica): https://tiadaisy.blogs.sapo.pt/




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