Mary

Let’s talk about heroes, baby, let’s talk about you and me, let’s talk about all the good things and the bad things that may be (...) - ponha a mão no ar quem leu isto ao ritmo da música!



Olá, olá, meus heróis!


Feliz ano novo! Espero que o vosso 2022 tenha arrancado da melhor forma possível, com saúde e muito amor :)


Ano novo, heróis novos - sempre ouvi dizer! Pelo menos, é o que ouço dizer desde janeiro de 2019… Quem diria que a rubrica Herói do mês faz já 3 anos?! Já vos apresentei 36 heróis. Trinta e seis! E o que é engraçado é que ainda há tantos - TANTOS - para vos apresentar. E sem mais conversa fiada, vamos lá conhecer a nossa estreia do ano:


Janeiro trouxe-nos uma heroína rara (sabem que tenho um lugar especial para os meus heróis raros, pelo que sinto que não podíamos ter começado o ano de melhor forma). É uma heroína cujo coração não funciona como o do mais comum mortal, mas cujo espírito é, contrariamente, incansável. Tem um espírito alegre e uma timidez amorosa. É altamente informada sobre a sua condição e tem um plano para o futuro do mais altruísta que se pode imaginar. Apresento-vos a Mary, a nossa primeira heroína do mês de 2022.


A Mary é inspirada na Maria Fernandes Lima (temos direito a nome completo e tudo!), uma adolescente de Viana do Castelo que vive com uma cardiopatia congénita. Car-di-o-pa-tia con-gé-ni-ta. E o que é isto, perguntam vocês e muito bem? Ora, segundo as minhas pesquisas e a informação que me foi dada pela própria heroína, é uma malformação/alteração na estrutura ou função do coração que está presente desde o nascimento da criança. É rara, e não afeta todas as crianças da mesma maneira. Também não se sabe exatamente porque é que acontece. Existem teorias, mas nada é certo ainda. Esta anomalia faz com que a criança portadora da doença se canse bastante mais e mais rápido do que as outras, causa dificuldades na circulação do sangue e pode trazer arritmias.


Ora, como em tudo na vida, existe um espectro dentro daquilo que são as cardiopatias - há das mais leves às mais severas e, na rifa, a esta nossa heroína, calhou uma daquelas complicadas que insistem em pô-la dentro de um hospital e fazer com que seja acompanhada por uma série de especialidades médicas todas ao mesmo tempo.


A Maria nasce de uma história de amor. Tem um pai e uma mãe apaixonados e que sempre sonharam em formar família e que, quando se viram perante o diagnóstico da sua primeira filha, decidiram que iam fazer tudo o que podiam por ela. E fizeram (e fazem). Devido à sua dedicação, conseguiram garantir que não havia perdas cognitivas (algo que poderia acontecer, considerando o diagnóstico, e que nunca é garantido conseguir-se contrariar) no desenvolvimento da Maria, e têm-se, desde sempre, certificado que ela tinha acesso a todos os cuidados necessários à sua condição.


A primeira cirurgia à qual a nossa heroína foi submetida ocorreu quando ela tinha apenas 1 mês de idade. Passou uma boa parte da sua infância isolada do mundo (devido à fragilidade da sua condição), tendo até passado por uma fase em que a sua própria mãe tinha que, rigorosamente, passar por um processo de desinfeção e proteção sempre que queria estar com a filha dentro da sua própria casa.


A Maria é uma rapariga tímida, alegre e sonhadora - posso dizer isto porque já o testemunhei na primeira pessoa (através de um ecrã), eheh. Os internamentos aos quais por vezes é sujeita causam algum transtorno no que toca à sua vida escolar, mas ela continua por cá, confiante do que está por vir. Está agora no ensino secundário e é o 2º ano consecutivo que estuda em regime online, devido ao facto de que o seu diagnóstico faz dela uma pessoa de alto risco no meio desta pandemia que insiste que tem que ficar por cá mais tempo. Sabe que a cardiopatia a vai acompanhar para o resto da vida, e tudo o que isso significa, mas continua por cá, confiante do que está por vir. Tem noção de que nunca terá uma vida “comum” e sem grandes dificuldades, mas continua por cá, confiante do que está por vir. A Maria está cá, e ainda tem muito que fazer - cardiopatia à parte.


Esta nossa heroína não desiste, é um verbo que não consta no seu vocabulário. Quer ser enfermeira - por isso afirmei que a sua visão de futuro era do mais altruísta possível. Quando lhe perguntei porquê, respondeu-me apenas que queria estar presente e ajudar pessoas. Reconhece o papel fundamental dos nossos heróis enfermeiros e quer evoluir (tipo Pokemon/Digimon) para esse nível. Tem um coração que funciona “malzinho” e que lhe causa transtorno, mas que está de porta aberta para receber quem quiser entrar. E enquanto que o seu coração se cansa a grande velocidade, o seu espírito não, pelo que esperem só para ver o que o futuro lhe guarda!


Perguntei-lhe também porque tinha aceite partilhar a sua história, e ela respondeu-me:


É importante falar sobre tudo”, e este é o mote que quero levar comigo para o resto do ano (e da vida). Falemos de tudo. Do que é bom, do que é mau, do que conforta e do que assusta. Inspiremo-nos uns com os outros, e façamos com que 2022 seja o melhor ano possível! :)


A Mary é a nossa primeira heroína do mês de 2022. Uma heroína com a vida pela frente, que vive um dia de cada vez. Ao seu ritmo, à sua velocidade, com o coração no sítio certo, a bater por um futuro onde pode fazer mais pelos outros. Espero que tenham gostado de a conhecer, e que fiquem curiosos para saber que outros heróis este novo ano vos vai trazer - estou mortinha por os apresentar!


Até breve, heróis!



Podem encontrar a Maria aqui: https://www.instagram.com/maria_coracao_especial/




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