Savy

_PT


Olá, heróis! Estou de volta! Aviso já que este post vai ser mais longo, mas espero que aguentem comigo até ao fim...


Cá estou eu, com mais uma história para contar, com mais uma vida para partilhar convosco: o herói do mês de setembro está aqui!


Sei que já disse isto várias vezes, e ainda que seja sempre por diferentes razões, este novo herói é especial para mim. É especial porque é o primeiro herói da equipa que é inspirado numa criança. E não é numa criança qualquer, mas antes de entrarmos aí permitam-me que vos apresente o Savy.


O Savy é um rapaz corajoso, feliz e que adora balões. No entanto, e para testar a tão característica alegria do nosso herói, o mundo por vezes torna-se demasiado complicado para a sua compreensão. Não que isso alguma vez o faça desistir de querer entender, mas é um peso que leva consigo. Ele é inspirado num rapaz chamado Salvador. Se tiverem curiosidade em saber quem é o Salvador e como cheguei até ele (bom, como cheguei à mãe dele), continuem a ler - é uma casualidade engraçada!


A meu ver, a melhor coisa que as redes sociais trouxeram à minha vida, é o nível de proximidade entre nós mesmos e o resto do mundo. O facto de, ao clicarmos num botão, podermos fazer parte de uma comunidade que nos compreende, onde podemos educar-nos a nós mesmos (ou mesmo criar uma comunidade que faça isso pelos outros), para mim, é incrível - mas atenção heróis, mais importante do que saber confiar, é saber desconfiar de com quem interagimos na internet. Foi com esse pensamento na cabeça que eu acabei por descobrir, assim num dia aleatório, quando estava a sair da Feira do Livro de Lisboa, uma conta muito interessante no Instagram: Autismo. E depois?. Gerida pela Andreia (mãe do Salvador), esta página mostra o dia a dia de uma família em crescimento, com 3 crianças (+1 a caminho, yay!), em que uma delas é autista.


Com a página da Heróis sem capa, comecei a seguir a conta da Andreia, com o objetivo de aprender um pouco mais sobre o que é realmente o autismo (sinto-me sempre uma naba nestas coisas, acho sempre que entendo até se abrir uma porta com mil e uma questões) e sobre como é gerir uma vida em que não só existem 3 crianças para educar, sendo que uma delas é autista, mas em que a mãe é, também, autista. E quem sabe, um dia poderia trazer personagens para a minha equipa inspiradas em todos eles? Pois olhem, não sei, as estrelas deviam estar alinhadas nesse dia, porque a Andreia começou a seguir a conta da Heróis sem capa e, juntas, acabámos por criar o Savy.


Encontrei-me com a Andreia para que nos pudéssemos conhecer melhor (e, claro, termos a certeza de que éramos quem dizíamos ser: duas pessoas muito reais e interessadas no trabalho uma da outra), e a Andreia partilhou comigo a sua perspetiva sobre: 1. viver com o Salvador - quem ele é, como é, como interage com o mundo e como é que o mundo interage com ele (já vos falo mais sobre isso); 2. sobre as suas duas outras filhas, a Benedita e a Teresinha (que são adoráveis); 3. sobre a sua relação com o seu marido, o Hélder; e 4. sobre si mesma - principalmente como a sua vida mudou/começou a fazer mais sentido a partir do momento em que foi diagnosticada com autismo.


E agora vamos entrar numa parte um pouco mais técnica, na qual tentarei não cometer erros e explicar o que sei da melhor forma. Suponho que seja do conhecimento geral que o autismo não se manifesta de uma só maneira em todas as pessoas, é um espectro. Aliás, a maior parte das ditas incapacidades que afetam o cérebro humano são um espectro: não se manifestam nas pessoas da mesma maneira, não são tratadas da mesma maneira nem podem ser diagnosticadas através dos mesmos sintomas, simplesmente não é assim (cada pessoa é diferente, acredito que exista uma base por onde um profissional começa a desenhar um diagnóstico, mas cada caso é um caso). No que toca ao Salvador, o autismo afeta a parte da comunicação e da socialização. É uma criança que adora as irmãs e que tem amigos na escola, que quer aprender e que está bem inserido na comunidade onde vive, mas que expressa alguma dificuldade em comunicar com o mundo aquilo que pretende (por vezes emite sons que são impercetíveis na verbalização e que por outras mostra repetição nos seus movimentos). Também fica um ansioso (às vezes irritadiço) quando certos barulhos são altos demais ou quando há demasiado movimento/demasiadas pessoas à sua volta. Estas duas últimas características, curiosamente, também se manifestam na Andreia.


No caso da Andreia, se não fosse ela a contar-me, eu sinceramente não tinha dado conta de nada (se isso é bom ou mau da minha parte, é uma leitura que depende de cada um). Reparei que o olhar dela se desviava muito, nem sempre me olhava nos olhos quando falava comigo (e isso é uma das formas como o autismo se manifesta no seu dia-a-dia), mas fora isso, e ainda bem (nunca quereria que se sentisse desconfortável), nenhuma outra características foi estimulada enquanto conversámos.


Recuso-me a ficar aqui a tentar explicar o que é o autismo e o que não é, visto que não tenho nem conhecimento nem experiência suficiente para que a minha palavra valha alguma coisa, mas espero que o que vos conto desperte alguma curiosidade sobre o autismo e como se manifesta (desde os níveis de gravidade aos "tiques", por falta de uma palavra melhor). Convido-vos também, meus heróis, a visitarem a conta da Andreia para expandirem um pouco o vosso conhecimento da matéria, se tal for o que pretendem. Ah, e claro, para se deixarem maravilhar por ela como eu me deixei!


Deixo-vos, por agora, com o Savy, uma ilustração que fiz para a família Neves dos Santos, a tradução do post para inglês e um quente até já!







_EN


Hi, heroes! I’m back! I should let you know right away that this is going to be a longer post, although I hope you stick with me until the end…


Here I am with another story to tell, another life to share with you: September’s hero of the month is upon us!


I know I’ve said this many times, and even though every time I say it it’s for a different reason, this new hero is very special to me. He’s special because he’s the first hero of the team that is inspired by a child. And let me tell you, he’s not just any child, but before I tell you about him allow me to introduce you to Savy.


Say is a brave, happy, boy, who loves balloons. However, and I believe to test his so characteristic joy, the world sometimes reveals itself to be too difficult to comprehend. Not that that ever leads him to quit wanting to understand, but it is a weight he carries. Say is inspired by a boy named Salvador. If you’re curious to know who Salvador is and how I got to him (well, how I got to his lovely mother), keep on reading - it’s a funny little story!


The way I see it, the best thing that social media has brought to my life is how much more close I feel to the rest of the world, to everyone out there. The fact that, with the click of a button, we can be a part of a community that understands and that allows us to educate ourselves (or even creating a community that does that same thing for others), to me, is just incredible - but beware heroes, more important than knowing how to trust is knowing how to not trust who we interact with online. It was with that thought in my mind that I ended up discovering, on a random day when I was leaving Lisbon’s book fair, one particularly interesting account on Instagram: Autismo. E depois? (it translates to “Autism. Then what?”). Managed by Andreia (Salvador’s mother), this page shows the everyday life of a growing family with 3 children (+1 on the way, yay!), one of them being autistic.


With this project’s Instagram page, I star ted following Andreia’s account, with the sole purpose of knowing more about autism (I always feel kind of dumb when it comes to everything; always feel like I know something until a door with a thousand and one questions opens) and about what it is like to manage a life where not only there are 3 kids to rain, one of them is autistic, but also the mother of the family has also been diagnosed with autism. And who knows, maybe one day I’d bring characters into my team that we’re inspired by them? Well, I don’t know, the stars might have been aligned that day because Andreia followed me back and, together, we ended up creating Savy.


I met, in person, with Andreia so that we could get to know each other better (and, of course, make sure we were who we said we were: two very real people), and Andreia shared with me her perspective on: 1. Living with Salvador - who he is, what he is like, how he interacts with the world and how the world interacts with him (I’ll talk a little it more about it in a minute); 2. about her two other adorable daughters, Benedita and Teresinha; 3. about her relationship with her husband, Hélder; and 4. about herself - especially how her life change/started to make more sense once she was diagnosed with autism.


And now we’re entering a section of this post that’s is a bit more technical, where I hope I don’t make mistakes and are able to explain what I know in the best way possible. I suppose that it’s general knowledge that autism doesn’t manifest itself in one way only, on everyone. It is a spectrum. Actually, most of the disorders that affect the human brain are spectrums: they don’t manifest the same way on everyone, they’re not treated the same way on everyone and they can’t be diagnosed based on the same symptoms on everyone, it just doesn’t happen that way (every person is different, I believe there’s a base line where a professional starts drawing a diagnosis but each case is their own). When it comes to Salvador, the autism in him affects the communication and socialisation portions of his life. He’s a kid who adores his sisters, who has friends in school, who wants to learn and who is well integrated in the community he lives is, bu that expresses some difficulty in communicating what he wants and means with the world (often he emits imperceptible sounds when verbalising and other times he shows heavy repetition in his movements). He also gets anxious (and sometimes angry) when certain noises are too loud or when there’s too much movement/too many people around him. Interestingly enough, these two last characteristics also manifest themselves on Andreia.


When it comes to Andreia, if she hadn’t told me, honestly, I wouldn’t have noticed (if that’s a good or a bad thing, I’ll leave it to each their own interpretation). I noticed, though, that her stare went elsewhere when she talked to me, she wouldn’t look me in the eyes much when we were talking (and that’s another way autism reveals itself in her day-to-day, apparently), but apart from that, no other characteristic of the disorder was stimulated, which is a good thing (I would never want her to be uncomfortable).


I refuse to sit here and try to explain to you what autism is and isn’t, as I don’t have either enough knowledge or experience on the matter to have my word be worth anything, but I hope that what I’m telling you is enough to spark a little bit of curiosity on autism and how it manifests itself (from the levels of seriousness to the “ticks”, for lack of a better word). I also invite you all, my heroes, to visit Andreia’s Instagram account in order to expand your knowledge on the matter, if that is what you wish to do. Oh, and of course, to let yourselves be amazed by her, like I was!


I’ll leave you for now, heroes, with Savy, an illustration I did for the Neves dos Santos family, and a warm see you soon!

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