Tizy

Atualizado: 28 de Dez de 2020

[ PT ]


Heróis, heróis... Chegámos a dezembro. Dezembro. O último mês do ano (what???).

A boa notícia, como bem sabem, é que com o virar do mês vem uma história nova. Um novo herói (ou heroína) junta-se à nossa equipa em expansão, e o meu peito enche-se de orgulho por poder ser eu quem vo-los apresenta. Vamos fechar o ano em grande, como não podia deixar de ser - trago-vos uma heroína que me roubou o coração. Mas antes de vos falar dela, façamos uma curta reflexão sobre este ano:


Apesar de 2020 estar a ser o que está a ser, não posso queixar-me. É uma sorte e um privilégio, eu sei, reconheço-o, mas é verdade. Apesar de estar a ser uma bela de uma montanha russa a nível de saúde mental, é um facto que trabalho tive, mais do que nunca, saúde também - a minha e a dos meus, e tempo também. Se lidei bem com tudo? De maneira nenhuma. Se tem sido fácil? Muito menos. Se tinha imensos planos e objetivos que não se concretizaram? Se tinha... Mas no final do dia, o que é realmente importante está intacto, e não quero deixar de valorizar isso, por mais facilmente que isso possa acontecer. O resto, com tempo e trabalho, chega-se lá. E tanto que se fez este ano, apesar de tudo, heróis... Enfim. Uma reflexão para outra altura. Agora, o ponto alto dos meus meses: o herói do mês. Neste caso, a heroína do mês.

Apresento-vos a Tizy, a minha heroína do mês de dezembro, uma miúda cheia de vida e com um espírito invejável. É inspirada na Beatriz Victória, uma rapariga artística e super alegre, com apenas 6 anos e que entrou há bem pouco tempo em remissão de leucemia mielóide aguda. Com ela vem uma história de esperança e um apelo a todos vocês, heróis, mas comecemos pelo principo.


”Conheci“ a Beatriz através do maravilhoso Instagram - benditas sejam as redes sociais, ás vezes. Fiz uma campanha há uns meses a pedir que me apresentassem os vossos heróis, para que pudéssemos fazer estas homenagens juntos - não são apenas os meus olhos os que conseguem reconhecer heróis verdadeiros. Um comentário nessa publicação identificou a página da mãe da Bea, a Cláudia, e a partir de aí eu senti aquilo que costumo sentir quando sei que está ali um herói do mês. A verdade é que (é estou mesmo a ser sincera), apesar disso, foi a Cláudia quem mandou mensagem primeiro, a apresentar a história da filha. A minha resposta foi um imediato sim, como podem imaginar.


Esta minha nova heroína é uma rapariga cuja energia é altamente contagiante. Felizmente posso dizer que a conheci (já não preciso de usar as aspas), ainda que tenha sido virtualmente - ajudou-me a dar nome a um peluche, ficou batizado como o porquinho Martim, e posso falar por experiência própria. A energia é inegável. É uma miúda feliz, que faz os pais rir, que corre e salta e brinca, que está a construir uma personalidade incrível e que sabe o que quer - mesmo que isso seja dar uma dor de cabeça aos pais, eheh. Mais que tudo, e isto digo-vos que é mesmo algo que me deixa infinitamente feliz, a Bea é uma heroína que adora desenhar. Passa imenso tempo com as suas folhas e marcadores e lápis e o que for... Desenha com vontade e desenha bem (bem melhor do que eu na idade dela, mas de longe). A Bea foi diagnosticada com leucemia poucos dias antes de ser declarado o estado de emergência em Portugal, e o o início do seu tratamento, do primeiro ciclo de quimioterapia, iniciou-se um dia antes - falemos de “sorte”. O diagnóstico deu-se por insistência da mãe ao ver claramente que algo não estava bem com a filha. Após febres altas, uma ida a à pediatra, problemas nas gengivas, uma ida ao dentista, um olho inchando que levou a uma ida ao oftalmologista, até que numa quarta ida às urgências, por persistência dos sintomas, foram feitas as análises que determinaram o percurso da Bea. O diagnóstico, como é óbvio, foi um duríssimo choque para a todos, mas rapidamente arregaçaram as mangas e estabeleceram um plano para chegar ao fim que todos desejamos: curar a Bea.

Mafalda: Imagino que te façam esta pergunta a torto e a direito, mas como é que a Bea reagiu ao saber que tinha agora que lutar contra algo que estava dentro dela? Que ia ter que ir ao hospital muitas vezes e preparar-se para uns tempos difíceis?


Cláudia: Não falámos muito do futuro, até porque para nós era e é muito incerto. Dissemos que estava doente e que para ficar melhor teria de ficar internada. E fomos gerindo um dia de cada vez. Tentávamos fazer muitas atividades para a manter ocupada.


Ela fazia imensos desenhos e pintava com vários materiais incluindo aguarela. Na páscoa preparei uma caça aos ovos. Foi muito divertido. Levámos 6 ovos cozidos, ela pintou e escondi-os no quarto onde ela estava isolada. Ela adorou. Basicamente tentámos tornar esta fase o mais leve possível.



Seguiram-se 5 ciclos de quimioterapia, os primeiros bem duros e carregados de efeitos secundários. Tempos difíceis para a família, que tudo o que podia fazer era apoiar a Bea e estar com ela a cada passo que desse. A perda de cabelo, o efeito mais comum da quimioterapia (pelo menos o mais “conhecido”), afetou a Bea, que tanto adorava o seu belíssimo cabelo escuro. Como é uma criança que se adapta bem àquilo que se passa à sua volta, aceitou a sua condição e tem sido uma verdadeira guerreira durante todo o processo, mantendo os espíritos altos (por mais que custe) e o sorriso rasgado, e mostrando a toda a gente como as boas energias nos ajudam verdadeiramente na luta contra algo inesperado. Se a Bea não é a definição de inspiração, não sei quem é.




M: Falaste-me de terem mudado a vossa rotina e que acreditas isso ter ajudado a Bea com os efeitos secundários da quimioterapia. Que fizeram exatamente? E aconselharias outros pais/pacientes a experimentarem fazer o mesmo?


C: Sim, fizemos algumas mudanças na alimentação da Beatriz seguindo a orientação da Nutricionista Magda Roma. Não posso afirmar que foi a mudança no modelo de alimentação que ajudou a atenuar os efeitos secundários, isto porque como os médicos dizem não foi feito nenhum ensaio clinico e pode ter sido um conjunto de outros fatores 😅. Mas coincidência ou não, ela deixou de ter muitos dos efeitos secundários. As alterações que fizemos, foram relativamente simples. Mas posso destacar que removemos o açúcar processado, leite de vaca e farinha de trigo. A verdade é que ainda há muitas pessoas um pouco céticas em relação a este tema, mas está provado que ter uma alimentação saudável só traz benefícios para nossa saúde. E sim, recomendo que pesquisem mais sobre este tema, principalmente pais de doentes oncológicos.




Ainda que por norma não façam campanha a isso, a Bea tem uma doença rara que acompanha a sua luta contra a Leucemia. Chama-se Doença de Ollier, que são pequenos tumores benignos de cartilagem, dentro dos ossos. O que faz com que os membros afetados possam crescer de forma anormal. Numa linguagem mais corrente e prática (não sei porque é que tento complicar), a Bea tem um dos ossos do braço direito que cresce mais lentamente, o que faz com que este seja mais curto do que o braço esquerdo, e com uma curva diferente do que seria ”normal”. Não é algo que impeça a Bea de fazer o que gosta, o que é uma óbvia maravilha, mas não deixa de ser algo que causa alguma insegurança - uma das mil e umas razões pelas quais ela merece que se reforce o quão bonita e incrível ela é.

A Bea e os pais, esperam, neste momento, a oportunidade de fazer um transplante de medula óssea - falta um dador compatível. E é aí que entra o apelo de que vos falei no início do post: há algo que todos nós (eu incluída) podemos fazer pela Bea e por todas as outras crianças a nível nacional (ou mesmo até a nível mundial) que estão a passar pelo mesmo que ela - dar sangue e registarmo-nos como dadores de medula óssea.

Como sabem (ou se não sabem, melhor ainda, já vos ensinei qualquer coisa hoje, fico à espera de aprender algo em troca), a leucemia é um tipo de cancro nas células da medula óssea. A medula óssea, e isto eu não sabia, é a parte esponjosa que está dentro dos nossos ossos - por alguma razão achava que era um órgão localizado numa zona muito específica na nossa coluna (na parte de ligação entre o pescoço e as costas), e é responsável pela produção de glóbulos brancos e vermelhos e de plaquetas. Existem vários tipos e subtipos de leucemia, mas o que é importante reter é que é bem possível que os pacientes que dela sofrem precisem de fazer uma transfusão de sangue e até mesmo um transplante de medula óssea. E é por isso que é muito importante que, podendo, façamos o que podemos para ajudar.


Pessoalmente, sempre quis dar sangue. Sempre achei que era um ato nobre e que, realmente, não custava nada. Até hoje (vá, ontem), permiti que as agulhas e a "falta de tempo" me mantivessem afastada dessa situação. Foi conhecer a Bea e os pais que me deu o empurrão que precisava para mandar um e-mail para imunohemoterapia@ipolisboa.min-saude.pt e marcar a minha ida. É a verdade, heróis, foi conhecer esta família que me inspirou a mexer o rabo e fazer algo que não só estava nos meus objetivos de 2020 como estava nos meus objetivos de vida. E fi-lo ontem. Ou pronto, quase que o fiz. Fica aqui um aviso, antes de continuarem a ler, que o próximo parágrafo vai falar de agulhas, sangue e indisposição - se isso funcionar como um gatilho para algum tipo de ansiedade ou stress, por favor passem para o a seguir.


Digo quase que o fiz porque aconteceu aquilo que eu me esforcei tanto para que não acontecesse. Desde miúda que tenho um problema com agulhas. É comum, eu sei, mas já olharam para aquilo? Vacinas, ainda que as tenha em dia, sempre me custaram, e sinceramente a grande razão para ter demorado até hoje para dar sangue é mesmo o arrepio que me corre na espinha quando penso em ter aquilo espetado no meu braço, como tive hoje. Quando entrei e me sentei na cadeira, falei com a enfermeira (que foi mais do que impecável, não a esquecerei tão cedo), e disse que, por motivo nenhum, deveria eu sequer lançar um olhar lateral para o que iria acontecer no meu braço, porque se não o que ia acontecer era que iria ficar da cor da parede (que era branca) e tudo iria pelo cano. Agulha dentro, tudo ok. Sangue a sair, tudo ok. Sensação esquisita, mas a conversa estava a ajudar a não pensar naquilo. O problema foi quando, a 3/4 de preencher os 450ml, o meu olhar desviou para a situação, e podem imaginar o desfecho. Enfermeiras à minha volta, médico idem, e as lágrimas a começarem a correr-me pela cara. Fiquei frustrada. Estou frustrada, ainda. Estava a conseguir, e deitei tudo abaixo. Não consegui. Já não me sentia tão inútil há muito tempo. A equipa profissional que lá estava ouviu-me e tentou tranquilizar-me, mas tudo o que eu tinha na cabeça era que tinha falhado, que tinha deixado gente que precisava da minha ajuda mal e, sinceramente, ainda que o mundo não gire à minha volta (e ainda bem), senti-me a pior pessoa do mundo. É um exagero, eu sei, mas que posso fazer? Nada, exatamente. Agora posso continuar a beber água como se não houvesse amanhã e esperar por abril - sim, em abril estou lá outra vez, e não saio de lá até aquilo ficar cheio. Conto-vos este episódio para vos reforçar a ideia de que é mesmo mesmo mesmo preciso dadores de sangue. Não sei o que vai ser do sangue que saiu de mim, nem me ocorreu perguntar (se souberem digam-me), mas se eventualmente o meu não chegar a nenhum paciente do IPO, seria maravilhoso que o vosso o fizesse.


Eu acredito mesmo, de coração, que a Bea tem um futuro brilhante pela frente. Já passou por tanto e mantém os níveis de alegria sempre altos. Está sempre pronta para brincar e para desenhar e para se rir (e fazer os outros rir). É uma criança genuinamente feliz, mas isso não significa que não precise da vossa ajuda, tal como centenas de crianças em Portugal. Precisa de vocês, heróis corajosos, que dêem um pouco da vossa essência, porque ela também já deu da dela - quimioterapia e em breve (faço figas) um transplante de medula. E se não puderem dar, o que tanto eu como a família da Bea o compreendemos, passem a mensagem.



M: Quais são os próximos passos a dar com a Bea e de que maneira podemos nós ajudar?


C: O próximo passo é avançar para o transplante com muita coragem porque sabemos que é um procedimento complicado e com muitos riscos. Por isso ela vai precisar de muita energia positiva, muitas orações e muita luz.



Ainda que exista apenas uma ínfima hipótese de que exista alguém, no planeta, que seja geneticamente igual a nós (é praticamente impossível), saber que podemos, numas horas, salvar a vida de alguém que tanto quanto sabemos pode ser nosso vizinho ou estar a viver do outro lado do mundo, não vale a pena pelo menos tentar?


Espero que tenham gostado de conhecer a Tizy e, consequentemente, a Bea, e que se sintam inspirados para pelo menos abrir a conversa sobre dar sangue com os vossos próprios heróis. Mas não se esqueçam: mesmo não podendo dar sangue, há algo que podemos fazer. Partilhar, partilhar, partilhar. Usufruir do lado bom das redes sociais! :) deixo-vos em baixo uma série de links que podem ser úteis para iniciar a vossa pesquisa sobre tudo o que vos falei e conhecerem melhor a Bea e a família! Um obrigada do tamanho do mundo por estarem desse lado, heróis. Fazem tudo valer a pena. Até breve, heróis!




P.S. Quero deixar aqui uma nota de agradecimento à Cláudia, pela paciência e amabilidade, e pelo tempo dedicado a fazer deste post o mais preciso possível. És magnífica <3



Links úteis:

— Campanha Beatriz Victória (Instagram): https://www.instagram.com/campanhabeatrizvictoria/

— Campanha Beatriz Victória (Facebook): https://www.facebook.com/campanhabeatrizvictoria

— Mãe da Beatriz, Cláudia Sónia Tavares (Instagram): https://www.instagram.com/claudiasoniatavares/

— Desenhos Beatriz Victória: https://www.instagram.com/desenhos.beatriz.victoria/

— Seja dador de sangue, IPO Lisboa: https://www.ipolisboa.min-saude.pt/porque-ajudar-o-ipo/seja-dador-de-sangue/

— Dar sangue, IPO Porto: https://www.ipoporto.pt/dev/wp-content/uploads/2017/08/TRIPTICO-DAR-SANGUE_issu.pdf

— Tudo sobre dar sangue: http://dador.pt/

— Leucemia (Wikipedia): https://pt.wikipedia.org/wiki/Leucemia





[ EN ]


Heroes, heroes ... We've reached December. December. The last month of the year (what ???).

The good news is, as you well know, that with the turn of the month comes a new story. A new hero (or heroine) joins our expanding team, and my chest is filled with pride that I can present them to you. We're going to end this year with a bang, as it should be - I'm bringing you a hero who stole my heart. But before I tell you about her, let’s do a short reflection on this year:

Although 2020 is being what it is being, I can't complain. I'm very fortunate and privileged to say that, I know, I recognise that, but it's true. Despite being a complete roller coaster in terms of mental health, it's a fact that I had work, more than ever, health too - mine and of those around me, and time too. Did I handle everything well? In no way whatsoever. Has it been easy? Nope. Did I have lots of plans and goals that didn't become a reality? Oh, did I... But at the end of the day, what's truly important is still intact, and I want to appreciate every part of it. The rest, with time and work, will come. And there's so much that was made this year, despite everything, heroes... Anyways. A longer reflection for another time. Now, the highlight of my months: the hero of the month. In this case, the heroine of the month.


I present to you Tizy, my hero of the month of December, a girl full of life and with an enviable spirit. She's inspired by Beatriz Victória, an artistic and super cheerful girl, only 6 years old and who of very recently is in remission of acute myeloid leukaemia. With her, comes a story of hope and an appeal to all of you heroes, but let's start with the beginning.


I "met" Beatriz through the wonderful platform Instagram - blessed be social media, sometimes. I ran a campaign a few months ago asking you to present your heroes to me, so that we could do these monthly tributes together - it's not just my eyes that are able to recognise real heroes. A comment in that publication identified the page of Bea's mother, Cláudia, and from there I felt what I usually feel when I know that a hero of the month is in front of me. The truth is that (I am really being sincere here), despite that feeling, it was Cláudia who sent me a message first, presenting her daughter's story. My answer was an immediate yes, as you can imagine.


This new hero of mine is a girl whose energy is highly contagious. Fortunately, I can say that I met her (I no longer need to use quotation marks), although it was virtually - she helped me name a little stuffed animal of mine, a pig, who she called Martim. Her energy is undeniable. She's a happy girl, who makes her parents laugh, who runs and jumps and plays, who is building an incredible personality and who knows what she wants - even if that means giving her parents a headache, hehe. More than anything, and I let me tell you, this is something that makes me infinitely happy, Bea is a hero who loves to draw. She spends a lot of time with her sheets and markers and pencils and whatever... She draws with ease and draws very well (much better than I did at her age, that's for sure).


Bea was diagnosed with leukaemia a few days before the state of emergency was declared in Portugal, and the start of her treatment, the first cycle of chemotherapy, started a day earlier - let's talk about “luck”. The diagnosis was made at the mother's insistence when she clearly saw that something wasn't right with her daughter. After high fevers, a visit to the paediatrician, some issues with her gums, a visit to the dentist, a swollen eye that led to a visit to the ophthalmologist, until a fourth visit to the emergency room, due to the persistence of symptoms, some tests that would determine Bea's path were finally done. The diagnosis, of course, was a shock to everyone, but they quickly rolled up their sleeves and established a plan to reach the end we all wanted: to heal Bea.

Mafalda: I imagine you get asked this question all the time, but how did Bea react when she learned that she now had to fight something that was inside her? That she was going to have to go to the hospital and prepare for some difficult times?


Cláudia: We didn't talk much about the future, because it was and is very uncertain for us. We said that she was sick and that to get better she would have to be hospitalised. And we were managing it one day at a time. We tried to do a lot of activities to keep her busy.


She did a lot of drawings and painted with various materials including watercolours. At Easter I prepared an egg hunt. It was very funny. We took 6 boiled eggs, she painted and hid them in the room where she was isolated. She loved it. Basically we tried to make this phase as light as possible.

Five cycles of chemotherapy followed, the first of which was very hard and loaded with side effects. Difficult times for the family, when all they could do was to support Bea and be with her every step she took. Hair loss, the most common effect of chemotherapy (at least the most "known"), affected Bea, who loved her beautiful dark hair so much. Although, as she's a child who adapts well to what's going on around her, she accepted her condition and has been a true warrior throughout the entire process, keeping her spirits high (no matter how hard it could be) and a wide smile, and showing everyone how it's done. Good energies really help us fight something unexpected. If Bea isn't the definition of inspiration, I don't know who is.

M: You told me that you changed your routine and that you believe that it helped Bea with the side effects of chemotherapy. What exactly did you do? And would you advise other parents/patients to try?


C: Yes, we made some changes to Beatriz's diet following the guidance of Nutritionist Magda Roma. I can't say that it was the change in the diet model that helped to alleviate the side effects, because, as doctors say, no clinical trial has been carried out to prove that and there may have been a set of other factors 😅. But coincidence or not, she no longer manifested many of the side effects. The changes we made were relatively simple. But I can point out that we removed processed sugar, cow's milk and wheat flour. The truth is that there are still many people a little skeptical about this topic, but it has been proven that having a healthy diet only benefits our health. And yes, I recommend you do more research on this topic, especially parents of cancer patients.

Although they usually don't campaign for this, Bea has a rare disease that accompanies her fight against leukaemia. It is called Ollier's disease, which basically means that there are small benign cartilage tumours inside her bones, which causes the affected limbs to grow abnormally. In a more practical manner of speaking (I don't know why I try to complicate it), Bea has one of the bones in her right arm that grows more slowly, which makes it shorter than her left arm, and with a different curve than it would be considered “normal”. It isn't something that prevents Bea from doing whatever she wants and likes, which is an obvious wonder, but it is still something that causes some insecurity - one of the thousand and one reasons why she deserves to be reinforced by how beautiful and incredible she is.

Bea and her parents are now waiting for the opportunity to have a bone marrow transplant - a compatible donor is missing. And this is where the appeal I spoke to you at the beginning of the post comes in: there is something that all of us (myself included) can do for Bea and for all the other children nationwide (or even worldwide) who are going through for the same as her - donating blood and registering as bone marrow donors.


As you know (if you don't know, even better, I've already taught you something today, I look forward to learning something in return), leukaemia is a type of cancer in bone marrow cells. The bone marrow, and this I didn’t know, is the spongy part that's inside our bones - for some reason I thought it was an organ located in a very specific area in our spine (in the connecting part between the neck and the back), and is responsible for the production of white and red blood cells and platelets. There are several types and subtypes of leukaemia, but what's important to remember is that it's quite possible that patients who suffer from it will need to have a blood transfusion and even a bone marrow transplant. And that's why it is very important that, if we're able, we do what we can to help.


Personally, I always wanted to give blood. I always thought it was a noble act and that it really didn't cost anything. Until today (well, yesterday), I allowed the needles and the "lack of time" to keep me out of this situation. It was meeting Bea and her parents that gave me the push I needed to send an email to imunohemoterapia@ipolisboa.min-saude.pt and schedule my trip. It's the truth, heroes, it was meeting this family that inspired me to move my tail and do something that was not only in my 2020 goals but in my life goals. And I did it yesterday. Or well, I almost did. Here is a warning, before you continue reading: the next paragraph will talk about needles, blood and indisposition - if this works as a trigger for some type of anxiety or stress, please move on to the paragraph after that.

I say that I almost did it because what I had worked so hard for didn't really happen. Since I was a kid, I have a problem with needles. It's common, I know, but have you ever looked at one? Vaccines, even though I have them up to date, have always been tough for me, and honestly the big reason for it to take me until today to give blood is the shiver that runs down my spine when I think about having it stuck in my arm, as I did yesterday. When I came in and sat down on the chair, I spoke to the nurse (who was more than impeccable, I won't forget her anytime soon), and said that for no reason should I even cast a side look at what was going to happen on my arm , because if not what was going to happen was that I would become of the color of the wall (which was white) and everything would go through the pipe. Needle in, everything was ok. Blood coming out, everything ok. Weird feeling, but the conversation was helping not to think about it. The problem was when, 3/4 of filling the 450ml, my gaze strayed to the situation, and you can imagine the outcome. Nurses around me, doctor ditto, and tears starting to run down my face. I was frustrated. I'm still frustrated. I was doing it, and I threw it all down. I didn't complete it. I hadn't felt so useless in a long time. The professional team that was there listened to me and tried to reassure me, but all I had in mind was that I had failed, that I had left people who needed my help badly and, honestly, even though the world doesn't revolve around to me (thankfully), I felt like the worst person in the world. It's an exaggeration, I know, but what can I do? Nothing, exactly. Now I can continue to drink water as if there is no tomorrow and wait for April - yes, in April I'll be there again, and I will not leave until the donation is complete. I'm telling you about this incident to reinforce the idea that blood donors really are needed. I don't know what will happen with the blood that came out of me, nor did it occur to me to ask (if you know, please tell me), but if eventually mine doesn't reach any IPO patient, it would be wonderful if yours did.


I really believe, from the bottom of my heart, that Bea has a bright future ahead of her. She has been through so much and keeps her levels of joy high. She's always ready to play and to draw and to laugh (and make others laugh). She's a genuinely happy child, but that doesn't mean that she doesn't need your help, as do hundreds of children in Portugal. She needs you, courageous heroes, to give some of your essence, because she has already given hers - chemotherapy and soon (fingers crossed) a bone marrow transplant. And if you can't give it, which both Bea and I understand, please help get the message across.

M: What are the next steps to take with Bea and how can we help?

C: The next step is to proceed to the transplant with great courage because we know that it is a complicated procedure with many risks. So she will need a lot of positive energy, a lot of prayers and a lot of light.

Although there is only a tiny chance that there's someone on the planet who is genetically the same as us (it’s practically impossible), to know that we can, in a few hours, save the life of someone who as far as we know can be our neighbour or live on the other side of the world, isn't it worth to at least try?

I hope you enjoyed meeting Tizy and, consequently, Bea, and that you feel inspired to at least open up the conversation about giving blood to your own heroes. But don't forget: even if you can't give blood, there's something we can do: share, share, share. Enjoy the good side of social media! :) I leave you with a series of links below that can be useful to start your research on everything I told you and to get to know Bea and her family better! A thank you the size of the world for being on that side, heroes. You make everything worthwhile.

See you soon, heroes!

P.S. I want to leave a note of thanks to Cláudia here, for her patience and kindness, and for the time dedicated to making this post as accurate as possible. You are magnificent <3




Links úteis:

— Beatriz Victória Campaign (Instagram): https://www.instagram.com/campanhabeatrizvictoria/

— Beatriz Victória Campaign (Facebook): https://www.facebook.com/campanhabeatrizvictoria

— Beatriz' mother, Cláudia Sónia Tavares (Instagram): https://www.instagram.com/claudiasoniatavares/

— Beatriz Victória Drawings: https://www.instagram.com/desenhos.beatriz.victoria/

Benefits of Donating Blood, Healthline: https://www.healthline.com/health/benefits-of-donating-blood

Advantages and disadvantages of donating blood, Medical News Today: https://www.medicalnewstoday.com/articles/319366

Donating Bone Marrow Is Easy and Important: Here’s Why, Amy Thompson, Cancer.net: https://www.cancer.net/blog/2017-01/donating-bone-marrow-easy-and-important-heres-why

— Leukaemia (Wikipedia): https://en.wikipedia.org/wiki/Leukemia


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