Audry

Atualizado: 16 de jun.

Olá, heróis!


Feliz mês do orgulhooooo! Em junho, a Heróis sem capa junta-se à multidão e celebra todas as cores do arco-íris e, como tal, quis trazer-vos um herói que tenha representado um papel pivotal (silencioso, por vezes) na história desta importante celebração.


«Comecei a escrever porque precisava de criar algo que não existia» *


Está na hora de conhecerem a Audry, heroína do mês de junho e inspirada na auto-denominada negra, lésbica, mãe, guerreira e poeta Audre Lorde (nascida Audrey Geraldine Lorde). Nova-Iorquina de raíz, esta heroína dedicou a sua vida ao seu talento, e ainda bem. Ficou conhecida pelos seus poemas que expressavam a sua raiva e afronta em relação a injustiças civis e sociais - nomeadamente o racismo, sexismo, classicismo e a homofobia.


Sempre escreveu. Era uma poetisa expressiva, aclamada pela sua capacidade de expor emoções complexas. O seu primeiro poema publicado apareceu na revista Seventeen, estava a Audre ainda no liceu. Licenciou-se na Universidade de Hunters e tirou um Mestrado em Estudos Literários na Universidade de Columbia. Trabalhou como bibliotecária em várias escolas públicas de Nova Iorque durante os anos 60 e acabou por ter um casamento fora do comum: a heroína casou-se com Edwin Rollins, um advogado homossexual e com ele teve dois filhos. Divorciaram-se na década de 70, década essa a que marca a vida da poetisa com a chegada do seu grande amor: Frances Clayton.


«Tenho um dever: o de dizer a verdade como a vejo e partilhar não apenas os meus triunfos, não apenas o que sabe bem, mas também a dor, a intensa e por vezes incontestável dor.» *


O culminar da sua experiência enquanto, a nível pessoal, uma mulher negra e lésbica e, a nível profissional, professora e académica num ambiente maioritariamente branco, foi o que fez com que o seu trabalho se tornasse fundamental para movimentos como o dos direitos civis, a segunda onda do feminismo e a igualdade de direitos LGBTQ+. Os seus poemas são o chamamento para o caminho da justiça social. Funcionam como gatilho para promover o pensamento crítico e abolir a desigualdade de direitos entre seres humanos. Tornaram-se um legado que, ainda hoje, é utilizado para movimentar multidões e abraçar novas gerações.


O legado de Audre não se resume, no entanto, ao seu extenso portfólio literário. Em conjunto com outras autoras, fundou a Kitchen Table: Women of Color Press, uma chancela literária dedicada à publicação de textos produzidos por mulheres negras e feministas. Também criou a Sisterhood in Support of Sisters in South Africa, um movimento que lutava pela proteção de mulheres negras na África do Sul durante o apartheid.


O final da vida de Audre ficou marcado pela sua luta contra o cancro, que serviu de mote para as suas mais conhecidas obras de prosa. Através deste seu trabalho, Audre, que sempre teve dificuldade em saber onde pertencia e qual era o seu lugar, encontrou milhares de mulheres, todas elas diferentes mas que todas partilhavam uma coisa: o diagnóstico. Redescobriu a necessidade de falar, de debater e de usar o poder de cada um para combater seja o que for.


Durante fosse qual fosse a fase da sua vida, Audre escreveu. Escreveu e deixou a sua marca no mundo. Mostrou que o que deixamos quando já cá não estamos não se cinge aos atos revolucionários em que participámos. Está em todas e quaisquer coisas que fazemos durante a nossa vida. Está nos textos que escrevemos, nas histórias que partilhamos, nas pessoas que abraçamos... Está em sermos nós mesmos, sem desculpas e sem medos.


Não é segredo nenhum que neste projeto vemos a diferença como algo positivo e não como uma razão pôr alguém de parte. A nossa heroína do mês de junho partilhava essa visão: por vezes, as diferenças entre pessoas são utilizadas como ferramentas para promover o seu isolamento mas, se calhar, deveríamos, em vez disso, usá-las como «razão para celebração e crescimento.»*


Espero que tenham gostado de conhecer a história da Audre, pessoalmente fiquei muito fã!


Até breve, heróis :)




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