Bay & Feira do livro de Lisboa

[ PT ]


Olá, heróis!


Quem diria, um post aqui no blog que não envolve o Herói do Mês... Já tinha saudades de escrever sobre os afazeres do projeto. E sim, eu sei que venho um bocadinho tarde tendo em conta que quase faz um mês desde a Feira do Livro de Lisboa, mas tem-me dado para pensar no dia e no quão importante foi para mim - principalmente quando 2020 está a ser, no mínimo, um ano estranhíssimo.


Falemos da Feira do Livro. Desde que me mudei para Lisboa (2014, onde é que já vais?) que tenho marcado uma bela e anual presença na feira - não, o meu amor por livros não nasceu com a conceção dos meus próprios. Inclusivamente, no ano em que vivi em Barcelona, vim a Lisboa pela altura da feira e não pude não dar lá um salto - chama-se dedicação. Tenho que confessar que não foi até esse ano que me passou pela cabeça a possibilidade de, um dia, como, por exemplo, a Clara Cunha ou a Adélia Carvalho, estar sentada numa mesa a assinar livros que carregassem, nas suas páginas, parte de mim. Estava numa fase crucial do projeto, onde as ideias já começavam a ganhar uma forma jeitosa - afinal estava a poucos meses de ter que o apresentar, e foi mesmo a primeira vez que me ocorreu que, um dia, iria poder dizer que 1, seria uma autora publicada e, 2, haveria quem acreditasse em mim o suficiente para me querer ir ver. Mal sabia eu que me esperava conhecer pessoas que, em apenas 2 anos, me levariam lá.


Quem me conhece bem, ou que pelo menos está atento à minha parte na história da Heróis sem Capa, sabe que este projeto é a primeira coisa que faço à qual me dedico a 200%, e da qual me orgulho de conseguir trabalhar nela com tanto afinco. Não é de ânimo leve que vos digo que, no livro da Bay, depositei todo o carinho, empatia e força que tinha quando trabalhei nele. Não me é estranha a experiência de querer fazer uma coisa, cumprir o objetivo e acabar com algo com o qual tenho uma relação complicada, de amor-ódio, pelo que quis que o processo do livro da Bay fosse diferente. Que fosse meu. Aí entra a maravilhosa equipa da minha editora (Editora Cultura, cof cof), o trio maravilha - João, Ana e António, que me deram total liberdade para lhes mostrar, em concreto, o que queria transmitir com a história. Naturalmente, muita coisa mudou desde os primeiros rabiscos até o que é hoje "Um Salto para a Água", mas posso dizer, com toda a sinceridade, e pela primeira vez na minha vida, que fiz algo merecedor e que eu, se o visse numa estante, quereria, pelo menos, abri-lo e ver o que tem para oferecer - poucos sabem o quão difícil é admitir isto.


E agora entramos em 2020, o ano que eu tão aguardava: nova década, novos planos, um projeto para mover e um livro para lançar. "O" livro para lançar. Poupo-vos os detalhes, visto que estou longe de ser a única a quem este ano tirou muita coisa. Looooonge. Admito, no entanto, que quando comecei a ver as coisas desenrolar, perdi a esperança. Achei que ia perder definitivamente o ano, que o projeto não ia avançar de todo e que, apesar de saber que não teria que aguardar assim tanto tempo, iria perder a "janela" da Bay. E aí entra, de novo, o trio maravilha, que contra tudo, me ajudou a impulsionar o livro. Fizemos um ebook descarregável para as crianças aprenderem sobre ser Herói em quarentena, lançámos o livro da Bay (sem eventos, sem promoção presencial), e chegámos à Feira do Livro.


Dia 12 de setembro de 2020, às 16h, acabada de me sentar na cadeira, atrás da mesa com o acrílico protetor que me aguardava, a conversar com a Ana, ouvi, pela primeira vez, o meu nome e o título do meu livro a serem anunciados por uma simpática voz nos megafones da feira. Foi aí que assentou: era real, não era brincadeira, estava ali. E aí foi o momento em que também me caiu a realidade de que era muito possível que ninguém fosse aparecer. Não me interpretem mal, levei uma verdadeira comitiva de 4 pessoas comigo, e tinha apoio a fazer vibrar o meu telemóvel, mas juro-vos que considerar a hipótese que, afinal, era bem possível que ninguém quisesse saber da Bay, deixou-me sem chão. Nunca gostei tanto de estar errada.


Entre a derradeira surpresa dos meus heróis, Vey e Ney (inesquecível, inesquecíveis), que consigo trouxeram os seus próprios heróis, familiares e amigos que apareceram para me apoiarem, caras desconhecidas que não esquecerei e a visita de heróis que apoiam o projeto desde sempre, não sei que parte da experiência foi menos que maravilhosa - nenhuma, a resposta é nenhuma. Mais que uma prova que tenho realmente pessoas à minha volta que me vêem e que sentem o que eu sinto, foi o derradeiro testemunho que a Bay tem o que é preciso para mexer com o coração das pessoas, que a Bay tem o que é preciso para fazer a diferença. Honestamente, não posso pedir mais nada; não peço mais nada.


Decidi não forçar e dar-me tempo para pôr em palavras toda a emoção que envolveu esta experiência, e para ser sincera ainda me é um tanto difícil expressar-me. Algumas coisas são para ser sentidas (e de que maneira), e não requerem uma exposição ao mundo, não é verdade? 2020 está a ser um ano complicado, principalmente a nível de saúde mental, sabem disso tão bem quanto eu. O otimismo e força que normalmente marcam presença no meu dia-a-dia estão desaparecidos desde meados de março, e muito tento eu que voltem para mim. Convenci-me, algures durante o confinamento, que me estava a enfiar num buraco e que não iria conseguir mostrar o valor da Bay a ninguém, que não valia a pena. Estava errada. Sei que estava errada e que eram apenas os pequenos diabretes da insegurança que me estavam a picar o cérebro. Sei que vale a pena. Ou pelo menos que valerá a pena.


São as mensagens que recebo a contar-me das experiências que as crianças têm com o livro da Bay, a falarem de quanto a história lhes tocou, a quererem discutir as mensagens subliminares do livro e as camadas da história comigo, da alegria que lhes trouxe receber o livro, de se sentirem representados... Tudo isto adicionado às pessoas que conheço, todos os meses, por causa do Herói do Mês, às oportunidades que me proporcionam e às surpresas que preparam... Sinto que, no final do dia, se algo acontecesse ao projeto, teria um pequeno exército que me ajudaria montar o puzzle outra vez. E melhor que isso, não sei se há. Espero que saibam que a minha gratidão é eterna, e que continuo aqui para vos mostrar que, para mim, são heróis.


Até breve. Obrigada.



P.S. Aqui ficam algumas fotografias do dito dia, espero que gostem :)



[ EN ]


Hello, heroes! Who knew, a post here on the blog that doesn't involve the Hero of the Month... I've missed writing about the project's to-dos. And yes, I know I’m a little late considering that it’s been almost a month since the Lisbon Book Fair, but I've been thinking a lot about that day and how important it was for me - especially when 2020 is being, at the very least, a strange year. Let's talk about the Book Fair. Ever since I moved to Lisbon (2014, how has it been so long?) I've been marked my presence at the fair both beautifully and annually - no, my love for books wasn't born with the creation of my own. Even during the year I lived in Barcelona, ​​I came to Lisbon at the time of the fair and I couldn't help paying a visit - that's dedication for you. I have to confess though, that it wasn't until that year that the possibility crossed my mind that, one day, much like, for example, Clara Cunha or Adélia Carvalho, I'd be sitting at a table signing books that carried, in their pages, a huge part of me. I was at a crucial stage of the project, where ideas were already starting to take on a nice form - after all, it was just a few months before I had to present it, and it really was the first time that it occurred to me that one day I'd be able to say that, 1, I'd be a published author and, 2, there'd be people who believed in me enough to want to come see me. Little did I know that I was about to meet people who, in just 2 years, would take me there.


Those who know me well, or who at least who are aware of my part in the history of Heroes Without Cape, know that this project is the first thing I do to which I dedicate myself 200%, and of which I am proud to be able to work on with so much. It is not lightly that I tell you that, in Bay's book, I put all the affection, empathy and strength I had when I working on it. I'm not a stranger to having an experience where I wanted to do something, did it and ended creating something with which I have a complicated, love-hate relationship, which is why I wanted the process of Bay's book to be different. To have it be mine. Here is where my wonderful publishing team (Editora Cultura, cof cof) comes in, the three musqueteers - João, Ana and António, who gave me total freedom to show them, concretely, what I wanted to convey with the story. Of course, a lot changed since the first scribbles, but I can say, in all honesty, and for the first time in my life, that I did something worthy and that, if I saw the book on a shelf, I would at least want to open it and see what it has to offer - few know how difficult this is to admit. And we've got 2020, the year I'd been waiting for: a new decade, new plans, a project to move and a book to launch. "The" book to launch. I'll spare you the details, since I am far from being the only one to whom this year has taken a lot. Faaar from it. I admit, however, that when I started to see things unfold, I lost hope. I thought that I would definitely lose the entire year, that the project would not progress at all and that, despite knowing that I would not have to wait that long, I would lose Bay's "window". And then, again, came the wonderful trio, that against everything, helped me to propel the book. We made a downloadable ebook for children to learn about being a Hero during quarantine, launched Bay's book (no events, no face-to-face promotion), and arrived at the Book Fair.


September 12th, 2020, at 4pm, I had just sat on the chair, behind the table with the protective acrylic that was waiting for me, was talking to Ana, when I heard, for the first time, my name and the title of my book being announced by a friendly voice on the fair's megaphones. That's when it settled: it was real, it wasn't a joke, I was there. And that was the moment when the reality that it was very possible that nobody would come also came to me. Don't get me wrong, I took a real entourage of 4 people with me, and I had support making my cell phone vibrate, but I swear to you that considering that, after all, it was quite possible that nobody wanted to know about Bay, I was terrified. I never enjoyed being wrong more. Between the ultimate surprise of my heroes, Vey and Ney (unforgettable), who brought with them their own heroes, family and friends who came to support me, unknown faces that I will not forget and the visit of heroes who have supported this project since forever, I don't know what part of the experience was less than wonderful - none, the answer is none. More than proof that I really have people around me who see me and feel what I feel, it was the ultimate testimony that Bay has what it takes to move people's hearts, that Bay has what it takes to make a difference. Honestly, I can't ask for anything more; I don't ask for anything more. I decided not to force myself and give myself time to put into words all the emotion that surrounded this experience, and to be honest I still find it a little difficult to express myself. Some things are to be felt and don't require exposure to the world, right? 2020 is being a complicated year, especially in terms of mental health, you know that as well as I do. The optimism and strength that normally have a presence in my day-to-day life have disappeared since mid-March, and I'm very much trying to get them to come back to me. I convinced myself, sometime during quarantine, that I was putting myself in a hole and that I would not be able to show Bay's value to anyone, that it wasn't even worth it. I was wrong. I know I was wrong and that it was only the little goblins of insecurity that were biting my brain. I know it's worth it. Or at least that it will be worth it.


It's the messages that I receive telling me of the experiences that children have with Bay's book, talking about how much the story touched them, wanting to discuss the subliminal messages of the book and the layers of the story with me, the joy that came to them when receive the book, the feeling of representation ... All this added to the people I get to meet, every month, because of the Hero of the Month posts, the opportunities they provide me and the surprises they prepare... I feel that, at the end of the day , if something happened to the project, I would have a small army that would help me put the puzzle together again. And better than that, I don't know if anything is. I hope you know that my gratitude is eternal, and that I'm here to show you that, to me, you're heroes. See you soon. Thank you. P.S. Above are some pictures of the day, I hope you like them :)

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