Letra H

[ PT ]


Olá, meus queridos heróis! Parece que foi ontem que escrevi a primeira Letra H e agora cá estou eu, com a segunda no colo, um dia atrasada. Tenho que confessar, a culpa é exclusivamente minha - falhei na organização desta semana. Quando dei por mim era dia 21 e não tinha nada preparado (ignoremos toda a ansiedade que se juntou numa bola e se pôs a saltitar dentro de mim por causa disso), pelo que aqui estamos, um dia mais tarde, ainda que com a mesma vontade de vos falar da preciosidade que vos trago hoje.


Sou uma verdadeira apologista de que heróis de todas as idades deviam ler certas histórias infantis, principalmente porque me dá a sensação que, quando crescemos, perdemos uma série de ideais fundamentais devido ao mundo em que vivemos. Sermos nós próprios é um deles. Por alguma razão, à medida que o tempo passa somos modelados para encaixar numa caixa "one size fits all" que não está de todo preparada para aceitar certas particularidades que fazem parte de nós e que nos tornam nós mesmos. Falo por mim própria. Quantas vezes não dava (digo dava e não dou, porque nos últimos anos tenho conseguido libertar-me um pouco disto - é um processo) eu conta que estou a agir de uma certa maneira, mesmo que não reflita o meu "eu", simplesmente para que não sejam levantados problemas ou por medo de ser julgada ou tomada por idiota. O quanto gostava eu, às vezes, de voltar atrás, aparecer à frente do meu eu mais antigo e dizer "sê idiota!". Ainda que, por outro lado, talvez desse cabo da linha de tempo que define o meu futuro e talvez não seja tão boa ideia.


O livro que vos trago hoje tem esta mesma premissa como essência: sermos nós próprios. Falo várias vezes (inclusivamente conversei sobre isto no podcast Em Diálogo, com a Mariana) sobre o facto de existir espaço para todos sermos nós mesmos. Existe espaço para que eu tenha as minhas excentricidades e, por exemplo, continue a gostar de filmes de animação da mesma maneira que quando era miúda ao mesmo tempo que outra pessoa os considere altamente infantis e inadequados para uma pessoa de quase 25 anos. É possível coexistir. Ainda que, por vezes, seja difícil, é possível.


"Perfeitamente Normal" é um livro amoroso, de 32 páginas, que nos encoraja a sermos diferentes e a ocuparmos o nosso espaço com um coração genuíno.


Características técnicas:

- Título: Perfeitamente Normal

- Título original: Perfectly Norman

- Autor(a): Tom Percival

- Ilustrador(a): Tom Percival

- Publicado por: Jacarandá Editora

- PVP: 11,90€ (sem descontos aplicados dependendo das livrarias)

- Impresso na China

- Tamanho: 24,4cm x 30cm

- Número de páginas: 32

- Capa dura

- Idade: 6-10 anos

- 1ª edição: maio 2019

- Sinopse:

"O Norman sempre fora normal, perfeitamente normal... até ao dia em que lhe cresceu um par de asas! Um livro destemido e enriquecedor sobre atrevermo-nos a ser diferentes e termos a coragem de dançar ao nosso próprio ritmo. Perfeito para atenuar até as maiores preocupações."


Apaixonei-me por este livro no momento em que vi a cor da capa. Talvez soe estranho, mas a designer dentro de mim dá muito valor a estas coisas. O cor de laranja neon que envolve o livro é do mais chamativo que existe, e ainda bem, porque este livro merece toda a nossa atenção. Não darei spoilers sobre o conteúdo da história, o que precisam de saber está na sinopse: o Norman sempre fora normal, até ao dia em que lhe cresceu um par de asas.


O Norman leva-nos numa aventura. Descobrimos quem ele é ao mesmo tempo que ele. Sentimos a repressão e a angústia com ele, ao mesmo tempo que sentimos também a liberdade que sente quando pode realmente ser ele mesmo. Somos transportados através de ilustrações lindíssimas a preto e branco (uma jogada, a meu ver, arriscada), com toques inteligentes de cor, pelas emoções do nosso protagonista e queremos, no final do livro, ser, como ele, perfeitamente nós mesmos :)


Ao ler este livro, como a adulta que o meu cartão de cidadão diz que sou, a minha cabeça passa pelas infinitas possibilidades de segredos mantidos entre famílias e relações (amorosas, de amizade, não importa). Os segredos que sabemos que nos prendem num cofre trancado e que muitas vezes não nos apercebemos do quão perigoso é mantê-los até ser quase tarde demais. É algo que mexe muito comigo - sei perfeitamente o que é mantermos partes de nós mesmos silenciadas para que alguém "goste mais" de nós. Deixo propositadamente o verbo gostar entre aspas porque, e atentem quando vos digo, não vale a pena perder tempo a construir uma persona que encaixe na vida de outras porque queremos fazer parte de algo que consideramos crucial. Se não encaixamos, será por alguma razão, e no final do dia, quem vem para casa connosco somos nós mesmos, e porque carga de água é que achamos plausível viver a vida de alguém criado por nós, e não a nossa? Vai sempre haver alguém que está pronto para nos receber de braços abertos. Só precisamos de ser Perfeitamente Normans.


Espero que este livro passe a fazer parte das estantes de vossa casa, seja para os vossos pequenos heróis crescerem com ele, ou para vocês mesmos se lembrarem, de vez em quando, que estamos aqui todos de uma maneira muito única, e que mais ninguém no mundo tal e qual como nós - uma mais valia dos diabos. Também serve, claro está, para aquele vosso herói mais crescido que sabem que está a precisar de um livro que lhe mostre o que precisa de ver - e o que melhor que um livro infantil?


Até breve, heróis!




Links úteis:

Compra o teu exemplar através de uma livraria independente:

— Aqui Há Gato: https://www.aquihagato.org/produto/perfeitamente-normal/

Ou mesmo da editora, diretamente:

— Jacarandá Editora, Grupo Presença: https://www.presenca.pt/products/perfeitamente-normal


— Podcast Em Diálogo, "Histórias com valores": https://open.spotify.com/episode/1XFP9XHcqU8zq79mfp1DCZ?si=1E8Gw4mCQzmRtcMq6GCx9A




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