Liberty

*ADVERTÊNCIA* - Neste post vou falar sobre temas sensíveis, entre eles saúde mental, depressão e suicídio. Se estes são temas que funcionam como gatilhos para despoletar sentimentos de pânico e ansiedade descontrolada, por favor não continues a ler, tenho outros posts no blog que de certeza não causarão esse impacto. Obrigada.


*TRIGGER WARNING* - In this post, I'll be talking about sensitive subjects, amongst them mental health, depression and suicide. If these are subjects that work as triggers to sentiments of panic and uncontrollable anxiety, please don't continue reading, I have other posts here on the blog that surely won't cause such an impact. Thank you.



[ PT ]


Chegámos a setembro, heróis. O mês do regresso à realidade, para a grande maioria. Um mês importante; o mês amarelo. 2020 está a ser uma verdadeira montanha-russa, não acham?


Tenho que vos confessar que foi difícil encontrar um herói para este mês. Não porque haja falta deles, não é esse o caso, mas porque estava à procura de algo tão específico que se tornou complicado encontrar alguém. Sabia que queria falar sobre saúde mental, depressão e o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (o passado dia 10). Sabia também que não queria nem romantizar, nem elevar, nem diminuir o suicídio. Não queria provocar pena, nem o contrário - distância e frieza, e não queria mostrar uma posição demasiado definida em relação a um tema destes porque é simplesmente impossível mantê-la, pelo que escolhi falar-vos uma rapariga americana, chamada Sarah Liberti, que deu uma TED Talk na Universidade de Adelphi, em 2017. Pelo elevadíssimo nível de coragem que demonstrou ao dar uma palestra sobre a presença do suicídio nas redes sociais, um tema que vai gerar controvérsia dê por onde der, é, para mim, uma heroína. Deixo-vos o link no final do post, caso queiram ver o vídeo antes de continuarem a ler - aconselho que o façam.


Mas antes de vos falar da Sarah e da sua TED Talk, permitam-me que vos apresente a Liberty, a heroína do mês de setembro. Está claro que é inspirada na Sarah, e gostava que olhassem para ela como a representação de todos os lados do tema deste post: o suicídio. Isto porque, a meu ver, e a partir da pesquisa que fiz (ainda que com poucos frutos), é como vejo a Sarah - quem compreende o que é, como se luta, os altos e baixos da realidade, o que se perde e o que se ganha. Vamos conhecê-la?


Começo então por vos falar da Sarah e do que descobri sobre ela. Devo desde já dizer-vos que não foi muito. Sei que é americana, que em 2017 tinha 18 anos, o que significa que hoje terá 21. Sei também que traçou o seu percurso no mundo da música, tendo em conta a sua paixão por tocar clarinete, saxofone e flauta. Tirou o que seria, aqui em Portugal, uma licenciatura em Educação Musical. Pela informação que consegui no website da Universidade onde estudou, averiguei que hoje é professora adjunta lá. E pouco mais está exposto na internet, o que também não importa, porque o que transparece nas suas palavras é o que realmente marca: uma pessoa doce, tímida, engraçada, que compreende a sua dor e que a aceita. Que se expressa livremente e que permite que todos à sua volta façam o mesmo. Que, mais que tudo, sente a urgência da partilha de experiências da vida real, na vida real, e da necessidade de lidar com o desconforto.



"Cometi o erro de assumir que, em todas as situações, as pessoas estavam bem. Que porque estavam a falar de dor com humor, estavam bem. Que o faziam para se rirem; para se sentirem compreendidos. Mas depois pus-me a pensar: e se aquilo foi um sinal? E se, em vez de se estarem a rir, estivessem a gritar?" *



Estou certa de que esta situação não vos é estranha. Ou já passaram por isso, ou conhecem alguém que o faz/fez. O humor é maravilhoso, rir é maravilhoso, sentir as endorfinas a correr-nos nas veias é maravilhoso. Mas e quando funciona como uma fachada? O que fazemos quando damos conta que, à nossa frente, alguém se está a rir para não chorar? Como percebemos quando é humor "edgy" e quando é, realmente, um pedido de ajuda? Não dá para perceber, a não ser que haja uma honesta e crua partilha entre nós, e as pessoas que estão à nossa volta. E sabem o que é que isso vai gerar? Desconforto.


A Sarah, na TED Talk, conta duas experiências que teve com duas pessoas suas amigas, que destruiram por completo a amizade que as unia. Na primeira experiência, precedida de uma noite das urgências da ala psiquiátrica de um hospital, após um forte ataque de pânico, um confronto com desesperados pensamentos suicidas e um tão corajoso pedido de ajuda, o que resultou da partilha de toda esta emoção, de todo este peso, foi ver o desconforto levar essa pessoa amiga a melhor, e fazer com que esta lhe dissesse "Sarah, sempre soubeste o que penso sobre pessoas que querem terminar as suas vidas: deixa-as; são fracos, e estamos melhor sem elas" *. Na segunda experiência, após a Sarah confessar que queria retomar as suas consultas de acompanhamento psicológico, a sua pessoa amiga retraiu-se e fechou-se, e nada voltou a ser igual. Porquê, perguntam-se vocês e muito bem? Porque ficou desconfortável com a situação.


Se é legítimo pensar assim? É. Cada um tem direito a pensar o que pensa, a sentir o que sente. As experiências de todos nós são únicas à nossa vida, e são elas que nos moldam, que nos ajudam a sentir empatia pelos demais e que nos afastam daqueles que não partilham semelhanças connosco. A palavra-chave, no entanto, no meio de tudo isto, nem é empatia ou compreensão, é desconforto. Foi o desconforto gerado por conversas difíceis, como todas as que giram à volta da saúde mental, que fez com que a Sarah perdesse estas duas pessoas. E se isso está certo? Não sei. Eu acho que não, apenas porque, na minha cabeça, não caberia reagir assim... Mas lá está, isso é porque estes meus primeiros 24 anos de vida não mo permitiriam.



"Precisamos de parar de partilhar a mais na internet e a menos na vida real" *



Acreditem, eu sei o quão fácil e aliciante é escondermo-nos atrás de uma piada, de um texto nas redes sociais... Até de um post no blog. Mentir e dizer "estou bem, é só cansaço". Ignorar a vontade de chorar que já está presente há uma semana mas que nos recusamos a libertar por medo de não conseguir parar. Mas sabem uma coisa? Ainda que mais difícil, mais duro e causador de uma infinidade de vulnerabilidade, deixar que alguém entre na nossa cabeça e sinta o que nós sentimos connosco é bem mais recompensador. É que nem há comparação. Partilhar, na vida real, o bom e o mau, o bonito e o feio, o fácil e o difícil, faz com que a vida ganhe cores mais vivas. Seja com um familiar, um parceiro, um amigo, um profissional de saúde ou mesmo um estranho... Uma dor partilhada por duas pessoas (ou quantas vocês quiserem), é uma dor mais leve. E não quer nada disto dizer que não se devam usar, digamos por exemplo, as redes sociais, para começar uma conversa sobre a saúde mental, nada disso. Todas as plataformas e oportunidades para tal merecem ser aproveitadas, simplesmente não quero que se esqueçam que, por trás de cada ecrã, está uma pessoa que precisa se sentar com alguém e deitar tudo cá para fora.


Foi reportado pela Organização Mundial de Saúde que, a cada 40 segundos que passam, uma pessoa termina a sua própria vida. Deixem que isso assente bem: a cada 40 segundos. Sinceramente, custa-me imaginar que, todos os dias, há tanta gente tão afundada na sua própria dor e angústia, que não vê outra saída que não seja o fim. Fico desconfortável ao pensar nisso (yup, desconfortável), mas recuso-me a que isso me iniba de vos dizer que há ajuda possível. Que há quem se importe. Porque há; há sempre maneira de ajudar. Não é certo que resulte, não há uma fórmula mágica que com a ajuda de uma varinha faça desaparecer uma depressão. Mas há pessoas, há terapias e há medicamentos.


A minha própria mentalidade em relação a este tema (e a todos os outros possíveis e imaginários), mudou muito nos últimos anos. Se eu antes era alguém que reprimia a parte má da vida e da minha própria cabeça porque sempre me disseram que havia tanto de bom à minha frente, hoje seria a última coisa que aconselharia a alguém. Obviamente que é e será sempre algo difícil de mudar radicalmente. Ainda há muitas emoções que não sei sentir e muitas coisas às quais não sei reagir mas ei... Um dia de cada vez. O conselho que dou mais, nos dias que correm, seja qual for a situação, é que se dêem espaço para sentir tudo: a raiva, a tristeza, o desespero, a apatia, a felicidade e a histeria. O que for. Precisamos de espaço e de tempo para sentir todas as ondas que vão e todas as que vêm, e que permitem que saiamos das situações que nos partem o coração mais densos, mais fortes, mais nós.


Há um movimento brasileiro chamado de Setembro Amarelo, que serve exatamente para dar luz e espaço a todos aqueles que passaram e estão a passar por algo tão sério como o suicídio, e foi isso que me inspirou apresentar-vos a Sarah e, consequentemente, a Liberty. Nunca tinha abordado este tema aqui a Heróis, o que acho estranho porque é algo em que penso quase diariamente... Mas agora aqui está. Deixo-vos com a belíssima Liberty, uma série de contactos e links e uma frase dita pela Sarah para rematar aqui tudo o que vos escrevi.


Foi um post meio diferente, tendo em conta a pouca informação que tinha sobre a heroína em si, mas é como vos disse, foi mesmo difícil encontrar alguém que defendesse uma perspetiva não demasiado definida sobre a saúde mental (incidindo mais na depressão e no suicídio) e que, ao mesmo tempo, partilhasse tanto da minha perspetiva do assunto. No entanto, também acho que há tanto dela que é refletido nas suas palavras que, depois de a ver e ouvir, sinto que a compreendo. Espero ter-lhe feito justiça e ainda ter-vos dado a conhecer alguém que merece ser ouvida. Uma heroína.



"Há algo tão bonito em ser humano e ter todas estas emoções. E sim, sentir felicidade, alegria e amor cá em cima é maravilhoso, mas também há algo maravilhoso em sentir a profundidade do desespero e da angústia. Faz parte da experiência de ser humano, e ser humano é algo que devemos abraçar, e isso inclui, especialmente, o desconforto." *



Até já, heróis!



* Transcrito e traduzido de inglês para português, da TED Talk "Casually suicidal", de Sarah Liberti.


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Linhas de apoio, em Portugal:

SOS Voz Amiga (entre as 16 e as 24h00)

Tel.: 21 354 45 45

Tel.: 91 280 26 69

Tel.: 96 352 46 60


Conversa Amiga (das 15h e às 22)

Tel.: 808 237 327

Tel.: 210 027 159


SOS Estudante (das 20h à 01h)

Tel.: 239 48 40 20


Linha LUA (das 21h à 01h)

Tel.: 800 208 448


Telefone da Esperança (das 20h às 23h)

Tel.: 22 208 07 07


Telefone da Amizade (das 16h às 23h)

Tel.: 22 208 07 07


Voz de Apoio (das 21h às 24h)

Tel.: 22 550 60 70


SOS Adolescente

Tel.: 800 237 327


Linha Jovem (todos os dias das 9 às 18 horas)

Tel.: 800 208 020

Linha LUA (entre as 20h00 e as 02h00)

Tel.: 800 208 448

Linha SOS Bullying (2ª a 6ª f. das 11-12h30 e das 18h30-20h)

Tel.: 808 962 006


Linha SOS Palavra Amiga (todos os dias, das 21h à 01h)

Tel.: 232 42 42 82


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Links úteis:

— "Casualmente suicida", por Sarah Liberti (TEDxAdelphiUniversity): https://www.youtube.com/watch?v=S8bJ3YlgL1Q

— "Compreender e perdoar o suicídio", por Rachel Brennan (TEDxSyracuseUniversity): https://www.youtube.com/watch?v=reWmwCJ6VwA

"A ponte entre o suicídio e a vida", por Kevin Briggs (TED Talk): https://www.youtube.com/watch?v=7CIq4mtiamY

— "Why is it so hard to reach out and talk about suicide?", por Knightsitesco: https://defender.smcvt.edu/2019/12/09/why-is-it-so-hard-to-reach-out-and-talk-about-suicide/

— "Did Sarah Liberti’s therapist get uncomfortable with her suicidal tendencies?": :https://therappo.com/articles/did-sarah-libertis-therapist-get-uncomfortable-with-her-suicidal-tendencies/

— "In Jest, or Depressed?", por Paul James: https://georgetownvoice.com/2019/10/11/in-jest-or-depressed/

— Dados sobre o suicídio, Organização Mundial de Saúde: https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/

— "Há um suicídio a cada 40 segundos e a maior parte foi de pessoas com menos de 45 anos", por Vera Novais: https://observador.pt/2019/09/09/ha-um-suicidio-a-cada-40-segundos-e-a-maior-parte-foi-de-pessoas-com-menos-de-45-anos/

— "Yellow September — suicide and depression at the work environment", por Beliive: https://medium.com/@beliive/yellow-september-suicide-and-depression-at-the-work-environment-3fdc8943102

— Setembro Amarelo: https://www.setembroamarelo.com/







[ EN ]


We've reached September, heroes. The month where we get back ti reality, at least the vast majority of us do. An important month; the yellow month. 2020 is being a real roller coaster, don't you think? I must to confess to you that it was difficult to find a hero for this month. Not because they are lacking, that's not the case, but because I was looking for something so specific that it became difficult to find someone. I knew I wanted to talk about mental health, depression, and World Suicide Prevention Day (the past 10th of September). I also knew that I didn't want to romanticise, increase or decrease the severity suicide. I didn't want to provoke pity, nor the other way around - distance and coldness, and I didn't want to show an overly defined position on a topic like this because it is simply impossible to maintain it, so I chose to tell you about an American girl called Sarah Liberti, who gave a TED Talk at the University of Adelphi, in 2017. For the very high level of courage that she showed when giving a lecture on the presence of suicide on social media, a topic that will undoubtedly generate controversy, she is, to me, a hero. I'll leave the link at the end of the post, if you want to see the video before continuing to read - I advise you to do so.


But before I tell you about Sarah and her TED Talk, allow me to introduce you to Liberty, the hero of the month of September. It's clear that she's inspired by Sarah, and I would like you to look at her as a representation of all sides of the theme of this post: suicide. This because, in my view, and from the research I did (although it wasn't very fruitful), this is how I see Sarah - someone who understands what suicide is like, how to fight it, the ups and downs of its reality and what is lost and what is gained. Shall we meet her? I'll start by telling you about Sarah and what I found out about her. I must tell you right away that it wasn't much. I know that she is American, that in 2017 she was 18, which means that today she's 21. I also know that she traced her path in the music world, taking into account her passion for playing the clarinet, saxophone and flute. She has a Bachelor of Arts in Music Education from the University of Adephly and, from what I gathered from the University's website, she's an adjunct faculty member there. And little else is available on the internet, which doesn't matter much, because it truly is in her words that you can see her for her: a sweet, shy, funny person, who understands her pain and accepts it. That expresses herself freely and that allows everyone around her to do the same. Who, more than anything, feels the urgency of sharing real life experiences, in real life, and the need to deal with discomfort.



"I made the mistake of assuming that in all of these situations the people were fine. That because they were talking about pain with humour, they were okay. That they did it for a laugh; they did it to relate. But it got me thinking: what if that was their flare? What if instead of laughing, they were screaming?" *



I'm sure this situation isn't unfamiliar to you. Either you've been there, or you know someone who is/does that. Humor is wonderful, laughing is wonderful, feeling the endorphins coursing through our veins is wonderful. But what about when it works as a a mere facade? What do we do when we realize that, in front of us, someone is laughing to keep themselves from crying? How can we tell when it's "edgy" humor from when it really is a cry for help? We can't tell, not unless there's an honest and raw sharing between us and the people around us. And do you know what that will generate? Discomfort.


Sarah, at her TED Talk, shares two experiences she had with two people who were her friends, who completely destroyed the friendship that united them. In the first experience, preceded by a night at the emergency room of a psychiatric ward in a hospital, after a strong panic attack, a confrontation with desperate suicidal thoughts and a courageous request for help, what resulted from sharing all this emotion, at all this weight, was to see the discomfort felt by her friend, having them say "Sarah, you’ve always known what I thought about people who want to kill themselves: let them; they’re weak, and we’re better off without them." *. In the second experience, after Sarah confessed that she wanted to resume therapy, her friend withdrew and closed herself to Sarah, and nothing was ever the same again. Why, you ask yourselves and very well? Because they were uncomfortable with the situation.


Is it legitimate to think this way? Yes, it is. Everyone has the right to think what they think, to feel what they feel. Our experiences are unique to our own lives, and they're what shapes us, what helps us to empathise with others and what keeps us away from those who do not share similar points of view with us. The key word, however, in the midst of all this, is neither empathy nor understanding, it's discomfort. It was the discomfort generated by difficult conversations, like all these that revolve around mental health, that caused Sarah to lose the two people. It is right, though? I don't know. Personally, I don't agree with them, just because, in my head, I would never find myself reacting the way they dud... But of course, that's because these first 24 years of my life wouldn't allow me to.

"We need to stop oversharing online and undersharing in real life" * Believe me, I know how easy and attractive it is to hide behind a joke, or a text on social media... Even behind a blog post. To lie and say "I'm fine, I'm just tired". To ignore the urge to cry that has been around for about a week but that we refuse to release for the fear of not being able to stop. But you know what? Even though it is more difficult, tougher and awakes an immense amount of vulnerability, letting someone enter our head and feel what we feel with us is much more rewarding. There's no comparison. Sharing, in real life, the good and the bad, the beautiful and the ugly, the easy and the difficult, makes life gain more vivid colours. Whether we do it with a family member, a partner, a friend, a health professional or even a stranger... A pain shared by two people (or as many as you want), is a milder pain. And this doesn't mean that you should not use, let's say, social media, to start a conversation about mental health, nothing like that. All platforms and opportunities to speak up deserve to be taken advantage of, I just don't want you to forget that, behind each screen, there is a person who needs to sit down with someone and put everything out of their system. It has been reported by the World Health Organisation that, every 40 seconds, a person ends his own life. Let it sit well: every 40 seconds. Honestly, it pains me to imagine that, every day, there are so many people so sunk in their own pain and anguish, that they see no other way out other than the end. I feel uncomfortable thinking about it (yup, uncomfortable), but I refuse to let it stop me from telling you that help is possible. That there are people who care. Because there are; there is always a way to help. It's not certain that it works, there is no magic formula that with the help of a wand makes a depression disappear. But there are people, there are therapies and there are medicines. My own mentality in relation to this topic (and to all the other possible and imaginary ones), has changed a lot in recent years. If, before, I was someone who repressed the bad part of life and my own head because I was always told there was so much good in front of me, today would be the last thing I would advise anyone to do. Obviously, it is and will always be something difficult to change radically. There are still many emotions that I don't know how to get through and many things that I don't know how to react to but hey... One day at a time. The advice I give more, these days, on whatever the situation, is to give yourself space to feel everything: anger, sadness, despair, apathy, happiness and hysteria. Whatever comes, feel it. We need space and time to feel all the waves that come and all the waves that go, as all that allow us to get out of the situations that break our hearts much denser, stronger, more like us. There is a Brazilian movement called Yellow September, which serves exactly to give light and space to all those who have gone through ore are going through something as serious as suicidal thought, and that was what inspired me to introduce you to Sarah and, consequently, to Liberty. I had never discussed this topic here, which I find strange because it's something I think about almost daily... But now here it is. I leave you with the beautiful Liberty, some links and a phrase said by Sarah to really finish up everything I wrote to you. I won't make a list of help lines to where you can call for help, as I have no idea where you're reading this from and probably would do a poor job in gathering all the information. However, please, informe yourself of who you can call in moments of despair. Keep those contacts close. This was a slightly different post, given the little information I had about hero herself, but as I told you, it was really difficult to find someone who defended a not too defined perspective on mental health (focusing more on depression and suicide) and that at the same time shared so much of my perspective on the subject. However, I also think that there is so much of her reflected in her words that, after seeing and hearing her, I feel that I comprehend her. I hope I have done Sarah justice and that I have also introduced you to someone you didn't know and who deserves to be heard. A hero.



"There is something so beautiful about being human that we have all of these emotions. And yes, feeling happiness, and joy, and love up here are a wonderful thing, but there is something also wonderful about feeling the depths of despair and hopelessness. It’s a part of the human experience, and being human is something we have to embrace, and that especially includes discomfort." *



See you soon, heroes!



* Transcripted from Sarah Liberti's TED Talk "Casually Suicidal".



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Useful links:

— "Casually suicidal", by Sarah Liberti (TEDxAdelphiUniversity): https://www.youtube.com/watch?v=S8bJ3YlgL1Q

— "Understanding and Forgiving Suicide", by Rachel Brennan (TEDxSyracuseUniversity): https://www.youtube.com/watch?v=reWmwCJ6VwA

"The bridge between suicide and life", by Kevin Briggs (TED Talk): https://www.youtube.com/watch?v=7CIq4mtiamY

— "Why is it so hard to reach out and talk about suicide?", by Knightsitesco: https://defender.smcvt.edu/2019/12/09/why-is-it-so-hard-to-reach-out-and-talk-about-suicide/

— "Did Sarah Liberti’s therapist get uncomfortable with her suicidal tendencies?": https://therappo.com/articles/did-sarah-libertis-therapist-get-uncomfortable-with-her-suicidal-tendencies/

— "In Jest, or Depressed?", by Paul James: https://georgetownvoice.com/2019/10/11/in-jest-or-depressed/

— Data on suicide, World Heath Organisation: https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/

— "Yellow September — suicide and depression at the work environment", por Beliive: https://medium.com/@beliive/yellow-september-suicide-and-depression-at-the-work-environment-3fdc8943102

— Yellow September: https://www.setembroamarelo.com/

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