Mily & Ny

_PT


É outubro, heróis, o que significa que é já tempo de vos apresentar quem mais recentemente se integrou na nossa equipa! Porém, antes de vos revelar as suas identidades, ficam já a saber que no dia 28 deste mesmo mês celebramos dois aniversários: o do Ary, claro, pois fará um ano desde a sua publicação, e o do projeto - ainda que o seu nascimento possa ser considerado bem anterior a essa data. Devido a isso mesmo, ao facto de outubro ser um mês especial, achei que estava na altura de vos apresentar as duas pessoas que realmente me impulsionaram e serviram de maior inspiração para que a Heróis sem Capa nascesse: os meus tios avós, Milú e António. Consequentemente, apresento-vos os heróis do mês de outubro, inspirados neles mesmos, Mily e Ny.


Agora, um pouco de contexto...


Para o bem e para o mal, não foi até aos meus 21 anos que conheci o verdadeiro significado de luto. Mesmo tendo noção de que é algo por que todos passamos, obrigatoriamente, na nossa vida, e que de certa maneira já levava algum tempo a "preparar-me" (como se fosse possível) para essa eventualidade, o confronto direto com a verdadeira perda de alguém foi algo que, para mim, me virou o mundo ao contrário. Num muito mau sentido. É algo com que, ainda hoje, lido bastante mal. Compreendo que é algo com o qual viverei toda a minha vida, só me pergunto se será sempre com esta intensidade... Apesar de tudo, com o tempo, aprendi a lidar com as memórias de uma maneira minimamente positiva. E foi numa dessas viagens ao mundo das memórias que me veio à cabeça uma frase, dita pela minha tia-avó, que olhava para mim como ninguém nunca olhou e sabia sempre o que eu queria esconder:

"As pessoas são tão valiosas quanto as histórias que levam às costas"

Estão a ver onde isto vai dar, certo? O constante aparecimento destas palavras na minha cabeça, numa altura em que as minhas emoções estavam por todo o lado, confusas e estridentes, trouxe parte de mim de volta à terra e deu-me o impulso que eu precisava para criar a primeira coisa na qual acredito a 200% e pela qual o sacrifício vem de mãos dadas com a gratificação: este projeto. Não gosto de pensar muito no "como" é que estas palavras apareceram na minha cabeça, numa noite de insónias (óbvio), pois traz demasiadas perguntas às quais ninguém me saberia responder, mas quero acreditar que, mais uma vez, a minha tia-avó me relembrou do que eu precisava de ouvir, sem que eu soubesse que precisava realmente de o ouvir.

Era assim que funcionava, sabem? Os meus tios-avós sempre tiveram uma capacidade incrível (eu diria que mágica, até) para me "ler". O meu tio-avô escolhia sempre as histórias certas para me deixar com um sorriso na cara e me mostrar que era forte, e era um excelente ouvinte, e à minha tia-avó absolutamente nada lhe passava ao lado - quando digo nada, é mesmo nada, eu estar triste e achar que o estava a esconder bastante bem, bastava um olhar e essa brincadeira acabava; vinham as frases certeiras e sábias. Ambos, sempre que nos víamos e antes de nos despedirmos, só me pediam uma coisa: que eu fosse tão feliz quanto eles, se não mais.

Suponho que criar este projeto em honra ao legado deles tenha sido uma maneira de lidar com a perda de duas pessoas que adorava (e adoro), mas a realidade é que abriu uma porta bem grande de oportunidades para celebrar os heróis que vivem entre nós. E sim, para mim, os meus tios-avós definiam a palavra herói. Uma vida inteira de altos e baixos (a todos os níveis), mas em que o amor entre os dois os unia, fortalecia, e preparava para a próxima adversidade, é algo que espero um dia poder dizer que também tive (bem lá para a freeeente, no futuro).

Fico feliz de, nos últimos anos das suas vidas, me ter aproximado ainda mais deles. De ter aproveitado melhor a presença deles. De reconhecer agora que muita da força que tenho vem deles, pois sempre se certificaram que eu sabia que sou suficiente, que valho a pena. Fico mais feliz ainda de, mesmo depois de terem falecido, saber ainda terem tanto para viver, através de uma infinidade de pessoas que os adoravam tanto quanto eu. E estou, também, agradecida por me manterem de pé (e me inspirarem de tal maneira que quero dedicar-me a partilhar convosco histórias de heróis da vida real, através da arte e da literatura).


Espero que tenham gostado de ler este pedaço de mim. Escrevê-lo (e desenhá-los) revelou-se um pouco mais difícil do que esperava, mas sei que valeu a pena!


Falamos em breve, heróis!




_EN


It’s October, heroes, which means that it’s about time that I present to you who most recently joined our team! However, before I reveal to you their identities, you should all be aware that on the 28th of this same month, we’ll be celebrating two birthdays: Ary’s, of course, since it will be a year since his book was published, and the project’s - even if its birth can be considered way prior to that day. Due to exactly this, the fact that October is a very special month to the project, I thought it was the right time to present to you the two people who really were the major inspiration (and boost) behind the creation of this project: my grand-aunt and uncle, Milú and António. Also, consequently, I present to you the Heroes of the Month of October, inspired by them, Mily and Ny.


Now, a bit of context...


For the better and the worse, it wasn’t until I was 21 years old that I knew the true meaning of grief. Even being perfectly aware that it is something that we all go through in our lives (no exception whatsoever), and that I had been “preparing” myself for the inevitable (as if that was really possible), the direct confrontation with the real, actual loss of someone turned my world upside down. In a very bad way. It’s something that, even today, I struggle very hard to deal with. I understand that it is something I’ll be living with my whole entire life, I just wonder if it will always be with this intensity… Despite all this, with time, I learned to deal with the memories as positively as I could, and it was in one of those trips down memory lane that I recalled a sentence said by my grand-aunt, who looked at me like no one has ever done before and always knew what I had to hide:


“People are as valuable as the stories they carry on their backs”


You can see where this is going, right? The constant pop of these words in my head, during a period of my life where my emotions where just about everywhere, all confused and loud, brought a part of me back to Earth and gave me the boost I needed to create the first thing in my life that I believe in 200%, and in which sacrifice and gratification come hand in hand. I’m talking about this project. I don’t really like to think about “how” these words kept appearing in my thoughts, one random insomniac night (obviously), since it brings out too many questions no one can really answer me, but I want to believe that, once more, my grand-aunt was reminding me of what I needed to hear, even if I didn’t really know that I needed to hear it.


That’s how it worked, you know? My grand-aunt and uncle always had an incredible (I’d even say magical) way to “read” me. My grand-uncle always chose the right stories to lift me up, make me smile and show me how I was strong (he was also a great listener), and my grand-aunt didn’t miss a thing. When I say that nothing was unnoticed by her, I mean it: I could be sad and thinking I was hiding it pretty well, then all it would take was one look and she’d break me with her wise and extremely accurate words. Both of them, every time we’d see each other and before we said our goodbyes, asked me only one thing: that I was as happy as they were, if not more.


I suppose that creating this project in honour of their legacy was a way to deal with the loss of two people I really adored (still do), but the reality is that it opened a huge door full of opportunities to celebrate the real heroes that live among us. Yeah, to me, my grand-aunt and uncle were the definition of the word “hero”. A life full of ups and downs in every way you can imagine, but in which their love for each other always prevailed and united, strengthened and prepared them for the next adversity, is something that I wish I’ll be able to say I had (waaaaaay into the future).


I’m happy that, in the last couple years of their lives, I got closer to them. I’m happy I got to enjoy their existence better. I’m happy I recognise now that a lot of my strength comes from them, because they always made sure I knew I was enough, that I was worth it. I’m even happier I know that, even after they passed, they still have still so much to live through an infinity of people who adored them as much as I did (still do). Also, I’m thankful that they keep me standing (and that they’ve inspired me in such a way that I now want to dedicate myself to sharing stories of real-life heroes, through art and literature).


I hope you enjoyed reading this little piece of me. Writing it (and drawing them) revealed itself to be a bit harder that I was expecting... But I know it was worth it!


We'll talk soon, heroes!

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