Vey (& Ney)

[PT]


Olá, queridos heróis! E essas quarentenas? Quantos de vocês já começaram, como eu, a bater com a cabeça nas paredes de casa? (Estou a brincar, por favor não façam isso.)


Propositadamente evitando ser mais uma pessoa a carregar-vos os dias com notícias ou mero paleio sobre a pandemia que insiste em ficar ao pé de nós, quero apenas dizer que espero que estejam a manter-se em casa, seguros, saudáveis e felizes.


Apesar desta estranheza que nos envolve, o trabalho aqui na Heróis não pára, e está na altura de vos falar sobre a heroína do mês de abril - não sei se estão preparados para o que aí vem! Mas antes de revelar a sua identidade, permitam-me que vos conte a história de como a conheci:


Tudo começou no dia 28 de janeiro, quando recebo uma mensagem no Facebook do projeto, de um simpático senhor chamado Nuno Amaral (fixem, que o nome vai ser importante ao longo de todo o post), a dizer que conhecia uma heroína sem capa e que gostaria de ver a sua história partilhada. A isto, acrescentou uma pequena biografia que me chamou muito a atenção, visto que mencionava uma relação com música, exerção de uma profissão em escolas que fazem parte do programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), atenção à educação especial, programas de voluntariado e uma energia inigualável. Não falhou mencionar também que, apesar de tudo, e devido à nossa condição humana, por vezes os nossos heróis se vão abaixo - uma das razões pelas quais o Nuno queria fazer esta homenagem.


A minha resposta, como podem imaginar, foi algo do género "sim, por favor conte-me mais, será que posso fazer dela heroína do mês?" - mas dito com muito profissionalismo, claro. E é aqui que entra a Vey, a heroína do mês de abril, inspirada na mais incrível e altruísta pessoa que já tive o prazer de conhecer: Vera Tavares. A partir de uma troca de mensagens, fiquei a saber que a Vera trabalha na EMA - Escola de Música e Artes, em Almada, como professora de iniciação musical para crianças e que ainda desenvolve um trabalho específico de terapia, através da música, com crianças autistas; que trabalha também numa escola da Damaia, como professora de educação especial; que coordena o projeto "Brincar aos Músicos", que por sua vez consiste em fazer uma visita musical, uma vez por mês, aos serviços de internamento pediátrico e psiquiátrico do Hospital Garcia de Orta; e que faz parte de equipas maravilhosas que trabalham em prol da humanização. Bom, eu quanto a vocês não sei, mas saber isto deixou-me completamente arrasada (no bom sentido). Senti um orgulho enorme por saber que a Vera existe, e ainda mais por saber que ia poder mostrar ao mundo o quanto é, verdadeiramente, uma heroína.


Ficou combinado, entre mim e o Nuno, que iríamos desvendar à Vera o facto de que queríamos fazer-lhe uma homenagem, mas que iríamos deixar uma outra coisa como surpresa: iríamos tentar reunir testemunhos de pessoas que estejam em contacto com a Vera, nas diversas partes da sua vida, e apresentar-lhe, no seu aniversário, a verdadeira forma desta homenagem. Assim foi, e agora estamos aqui.


Tive a maior das honras em poder conversar com a Vera (pelo telefone, ambas respeitamos a obrigatoriedade do distanciamento social) e assistir, na primeira pessoa, à urgente necessidade da mudança da definição de altruísmo no dicionário da língua portuguesa: devia aparecer uma fotografia dela. Durante toda a conversa, esteve claríssimo o facto de que esta homenagem tinha que ser feita e posso dizer, com toda a certeza e mais alguma, que a Vera nasceu para fazer o que faz. O seu talento é irrefutável, e a sua força de vontade e dedicação invejáveis. É uma pessoa que se dedica às outras, a tempo (quase) inteiro e que está sempre disponível para dar um pouco mais. Se tirar um pouco do seu tempo, que está tão ocupado por tanta gente que mais o merece, para falar comigo, não prova isso, então não sei o que prova. Fala, com muito orgulho, da escola de música (EMA) que, fiquei a saber, fundou com o Nuno, e com mais ainda do projeto que desta "cumplicidade maravilhosa" saiu: o "Brincar aos Músicos". Confesso que foi sobre este assunto que conversámos durante mais tempo. Não apenas por ter encontrado, nas raízes do projeto deles, semelhanças às raízes do meu, mas porque me fascinou a paixão com que me contou as histórias que saem de fazer concertos interativos numa ala de internamento pediátrico e numa de internamento psiquiátrico.




Mafalda: Quando é que descobriu as sua vocação para a música e a sua aplicação tanto no ensino/educação especial, como nas visitas ao hospital?


Vera: Cedo ingressei no ensino na música, comecei como tantos outros músicos da minha geração em tenra idade na banda filarmónica “da terra”. Mais tarde e alimentando a vontade de querer saber mais e melhor ingressei no conservatório de Música e fiz o meu percurso na classe de clarinete. Já mais tarde e aquando dos primeiros concertos didáticos que fiz para as escolas, enquanto clarinetista e certa que tinha (achava eu) descoberto a minha vocação somente como músico, deparo-me com algumas dezenas de pares de olhinhos a olharem para mim com um entusiasmo e um brilho indescritível no olhar, a beberem cada explicação que lhes passava e a desfrutarem da sonoridade de um instrumento que eu julgava nada mais tinha para me surpreende depois de tantos anos. Ai soube que queria ensinar, queria ser professora. Licenciei-me como professora do ensino básico na variante de Educação Musical do primeiro ao segundo ciclo. Leccionei alguns anos sempre com uma sensibilidade enorme para as crianças com necessidades educativas especiais que fui acompanhando em contexto de turma, por intuição e sem grande fundamentação teórica na altura, percebi que através de metodologias da didática da música era mais fácil para mim comunicar e “chegar” até elas. Este gosto foi aumentando e uma vez mais, o querer saber mais fez-me ingressar no Mestrado de Educação Especial no domínio cognitivo e motor. Aliar as ferramentas da Educação Especial ao privilégio natural da comunicação através da música realiza-me no trabalho junto de qualquer criança. A derradeira inclusão acontece de forma natural, verdadeira e pura. Sempre no infinito respeito pelas necessidades especiais de cada criança ou adolescente.




A Vera não deixou de fazer notar que a sua vida não se cinge apenas ao seu projeto de responsabilidade social, que existe também a sua faceta de professora exigente que não desiste até saber que o seu trabalho está a dar frutos e que está conseguir ajudar não só as crianças com quem trabalha, mas as suas famílias também, a chegarem mais longe com o seu bem-estar. E o que é curioso em relação a este seu lado é a ideia que me transmitiu de que ou a adoram ou a detestam, o que a mim só me mostra que está a fazer bem o seu trabalho: é carinhosa e atenciosa, mas também dura quando a situação assim o exige.

M: Opino que tem toda a razão quando diz que a música é uma maneira fantástica de nos expressarmos e comunicarmos. Diria que isso é o que faz com que a aplicação da mesma no ensino/na terapia de crianças com dificuldades cognitivas/físicas seja tão importante para o crescimento pedagógico delas?


V: A Música trabalha como um canalizador e libertador de energia, através de sons e ritmos. Os sons, a prática vocal, as harmonias usadas fazem com que a criança abra os seus próprios canais de comunicação deixando o consciente sujeito a resposta do emocional. Assim, tudo que o que é música, para uma criança, é sempre positivo. Mas devemos ter em conta que esta mesma música deve ser adaptada aos seus “ouvidos”, à sua capacidade de ouvir, à sua idade e principalmente à sua maturidade musical, podendo ajudar uma criança ao longo da sua aprendizagem, coordenação, controle de ansiedade e melhoria do seu bem-estar, entre outros. Mas, sobretudo ajuda-a a organizar e a estruturar o seu interior. Existem vários estudos que demonstram que a música e os seus componentes, produzem padrões de atividade cerebral, o que leva a uma maior eficácia ao nível do funcionamento do cérebro não só como diretor dos processos cognitivos, mas também como regulador das funções vegetativas básicas do organismo. Quando se aplica esta ferramenta a uma criança, seja em maior ou menor grau, é suficientemente importante e eficaz para evitar o desencadear de outros problemas de diferentes tipos: psicológico, social, motriz e fisiológico.




Pela falta de argumentos a refutar tais factos, limito-me a deixar aqui a mítica frase de Henry Wadsworth Longfellow, "a música é a linguagem universal da Humanidade", chega a todos, de uma maneira ou de outra, e que sorte temos nós em existir uma Vera que se certifica que assim seja.



M: O que é facto é que, levando a vida que levas, e após receber maravilhosas palavras de gente que testemunha a tua alegria e gigante coração, é uma heroína. Dirias que tens, na tua vida, pessoas que consideres heróis?


V: Todas! Literalmente todas. Cada uma no seu contexto, na sua abordagem e na sua contribuição. Eu sou uma privilegiada, a vida tem-me dado a honra de colocar junto de mim as pessoas que trago todos os dias comigo. Verdadeiros heróis e heroínas a quem recorro para tudo desde sempre. Ninguém é feliz sozinho, e eu sou extremamente feliz com quem me rodeia. Estamos sempre juntos nos dia fáceis e principalmente nos dias menos fáceis. Por vezes à distância, por vezes na “porta ao lado”. O segredo é sorrir e fazer sorrir, até doerem as bochechas. Ehehehe




Era com esta ideia que queria terminar este post. Ao longo de toda a conversa com a Vera, uma coisa que não faltou nunca, foi um holofote, ligado por ela, direccionado às pessoas que a acompanham e ajudam a fazer tudo o que faz a nível profissional (mais um testemunho à maravilha de pessoa que é verdadeiramente). E a mais crucial de todas é sem dúvida o Nuno (eu disse que iam querer fixar o nome dele também). Amigo dedicado, líder destemido e músico talentoso, o Nuno é o parceiro que todos gostaríamos de ter nos nossos projetos. Dito pela Vera, nada aconteceria sem ele (conseguimos ver isso no decorrer deste post), e é por isso que, entre nós as duas, ficou decidido que o iria incluir nesta homenagem, como menção honrosa ao herói do mês de abril. Apresento-vos, então, o Ney, parceiro fiel e o elemento surpresa da dupla de heróis que vos apresento hoje. É inspirado no Nuno, claro, e está aqui para reconhecer o valor tanto do seu trabalho como da pessoa que é - nenhuma das coisas passa despercebida. Está aqui também para reforçar a ideia de que juntos, chegamos mais longe. O que falta nuns, podemos encontrar em outros, e é a junção de forças que nos permite fazer deste mundo um lugar nem que seja só um bocadinho melhor.


Espero que este post vos traga um pouco de luz e alegria no meio desta quarentena, que se está a pôr complicada para todos. Conhecer a Vera e o Nuno, pelo menos a mim, trouxe-me muita compaixão e esperança, não sei bem como explicar - é possível que tenha esgotado o plafond de palavras de hoje. Que fique aqui bem presente e assente a minha eterna gratidão, tanto ao Nuno como à Vera. Ao Nuno, pela disponibilidade e iniciativa, permitindo-me conhecer duas pessoas inspiradoras, mesmo que o objetivo fosse conhecer apenas uma, e por me ter deixado fazer parte desta homenagem; à Vera, pelo carinho, pela atenção, pela energia, e pela maravilha que foi ouvi-la. Aos dois, ao mesmo tempo, por todo o trabalho que fazem, são uma verdadeira inspiração, e levar-vos-ei comigo durante todo o projeto. Bem-vindos à equipa!


Ah, claro, não posso deixar passar também um enorme agradecimento a quem me enviou o seu testemunho para constituir a surpresa da Vera, ler as vossas palavras só veio provar tudo o que vim a saber sobre ela. Obrigada.


E chegámos ao fim, heróis, de mais um post. Foi a primeira vez que homenageei alguém a pedido de uma terceira pessoa, e devo dizer que tenho muito orgulho em ter participado nesta aventura. Ponto mais alto de 2020, até agora.


Até breve, heróis!




Links que podem querer investigar:

Testemunhos, para a Vera:

— PDF: https://drive.google.com/open?id=18Fo1IiRUG10t520owqMOTwbV2jk3OEGh


EMA - Escola de Música e Artes:

— Website: https://www.ema-escolademusica.com/

— Facebook: https://www.facebook.com/EMAescolademusica

— Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCKIPgxYPTUbShWdKXO_U2ng/videos


Grupo de Humanização da Pediatria no Hospital Garcia de Orta, Baleia Ondinha:

— Facebook: https://www.facebook.com/ondinha.hgo/

— Hino: https://www.youtube.com/watch?v=RFghssTe4Rg


Brincar aos Músicos:

— Concertos Interativos: https://www.facebook.com/nuno.amaral.1232/videos/10207936282836868/UzpfSTEwMDAwMDk4NjgwOTUzNToxMzQ5MzI0NDM1MTEwNDM3/ ; https://www.youtube.com/watch?v=M9529CSDT98

— Novidades em breve: https://www.facebook.com/EMAescolademusica/photos/a.638315712891256/2266358970086914/?type=3&theater


Henry Wadsworth Longfellow:

— Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Wadsworth_Longfellow

— Poetry Foundation: https://www.poetryfoundation.org/poets/henry-wadsworth-longfellow

— Outre-mer; a pilgrimage beyond the sea : https://books.google.pt/books?id=7QAIAAAAQAAJ&q=%22is+the+universal%22&redir_esc=y#v=snippet&q=%22is%20the%20universal%22&f=false








[ EN ]

Hello, dear heroes! How are those quarantines going? How many of you have, like me, started banging your heads against you homes’ walls? (I’m joking, please don’t do that.)

Purposefully avoiding being one more person loading your days with news or gibberish chat about the pandemic that insists on lingering around us, I only want to ay that I hope you’re keeping yourselves safe, healthy and happy at home.

Despite the weirdness in the air, the work here at Heroes doesn’t stop, and it’s time I tell you about April’s hero of the month - not sure if you’re ready for what’s coming! But before I reveal their identity, allow me to tell you the story on how I met them:

It all started on January the 28th, upon receiving a message on the project’s Facebook page, from a very nice man called Nuno Amaral (take note of this name, it’ll be important throughout the entire post), saying that he knew a hero without cape and that he’d like to see her story shared. To this, he added a small biography that called for my attention, seen as it mentioned a relationship with music, a profession in schools that are a part of a Portuguese programme called TEIP (which can be roughly translated to Educational Territories of Priority Intervention), attention to special education, volunteering programmes and an unrivalled energy. He also didn’t fail to mention that, despite everything, and due to our human condition, sometimes our heroes’ spirit breaks - one of the reasons why Nuno wanted to pay this tribute.

My answer, as you can imagine, was something like "yes, please tell me more, can I make them the hero of the month?" - but said it with a lot of professionalism, of course. And this is where Vey, the hero of the month of April, comes in, inspired by the most incredible and selfless person I've ever had the pleasure of meeting: Vera Tavares. From an exchange of messages, I learned that Vera works at EMA - School of Music and Arts, in Almada (Portugal), as a musical initiation teacher for children and also that she develops a specific therapy work, through music, with autistic children; she also works at a school in Damaia (Portugal), as a special education teacher; she coordinates the project “Play Musicians”, which in its turn consists of making a musical visit, once a month, to the paediatric and psychiatric wards of the Garcia de Orta Hospital; and that he is part of wonderful teams that work in favor of humanisation. Well, I don't know about you, but knowing this left me completely floored (in a good way). I was extremely proud to know that Vera exists, and even more to know that I was going to be able to show the world how true of a hero she is.

It was agreed, between Nuno and me, that we would unveil to Vera the fact that we wanted to pay tribute to her, but that we would leave something else as a surprise: we would try to gather testimonies from people who are in contact with Vera, in the different parts of her life, and present her, on her birthday, the true form of this homage. It was said, then done, and now here we are.

I had the greatest honor in being able to talk to Vera (on the phone, we both respect the obligation of social distancing) and to see, in the first person, the urgent need to change the definition of altruism in the Portuguese dictionary: a photo of her should appear there. Throughout the conversation, the fact that this tribute had to be done was very clear to me and I can say, with all certainty and some more, that Vera was born to do what she does. Her talent is irrefutable, and her willpower and dedication are enviable. She is a person who is dedicated to others (almost) full time and who is always available to give a little more. If taking some of her time, which is already so occupied by so many people who deserve it way more, to talk to me, doesn't prove just that, I don't know what it does. She speaks, with great pride, of the music school (EMA) that, I learned, he founded with Nuno, and with even more of the project that came out of this "wonderful complicity": "Playing Musicians". I confess that it was about this subject that we talked more. Not only because I found, in the roots of their project, similarities to the roots of mine, but because I was fascinated by the passion with which she told me the stories that come from doing interactive concerts in both a paediatric and a psychiatric inpatient wards.


Mafalda: When did you discover your calling for music and its application both in teaching /special education and in the visits to the hospital?

Vera: I started teaching music early on. I started like so many other musicians of my generation, at a young age, in the “earth” philharmonic band. Later, and feeding the desire to want to know more and be better, I joined the Conservatory of Music and made my journey through the clarinet class. Later on and when I was doing the first didactic concerts for schools, as a clarinet player and certain that I had (I thought) discovered my calling only as a musician, I found a few dozen pairs of eyes looking at me with enthusiasm and an indescribable gleam in their eyes, drinking every explanation that passed to them and enjoying the sound of an instrument that I thought couldn’t surprise me after so many years. Then I knew I wanted to teach, I wanted to be a teacher. I graduated as a teacher of basic education in the Music Education variant from the first to the sixth grades. I taught a few years, always with an enormous sensitivity for children with special educational needs that I was following in class. By intuition and without great theoretical foundation at the time, I realised that through methodologies of music didactics it was easier for me to communicate and “reach” them. This taste increased and, once again, wanting to know more made me join the Master of Special Education in the cognitive and motor domain. Combining the tools of Special Education with the natural privilege of communication through music makes me able to work with any child. The ultimate inclusion happens in a natural, true and pure way. Always in infinite respect for the special needs of each child or teenager.


Vera did not fail to point out that her life is not limited to her social responsibility project, that there is also her side as a demanding teacher who does not give up until she knows that her work is bearing fruit and that she is able to help not only the children he works with, but their families too, in their well-being. And what is curious about this side of her is the idea that she conveyed to me that one either adores her or detests her, which only shows me that she’s doing her job well: she’s loving and caring, but also tough when the situation demands it.


M: I think you are absolutely right when you say that music is a fantastic way of expressing and communicating. Would you say that this is what makes its application in the teaching/therapy of children with cognitive/physical difficulties so important for their pedagogical growth?


V: Music works as a channel and energy liberator, through sounds and rhythms. The sounds, the vocal practice and the harmonies used make the child open their own channels of communication leaving the conscious subject to the emotional response. Thus, everything that is music, for a child, is always positive. But we must take into account that this same music must be adapted to your “ears”, to your ability to listen, to your age and especially to your musical maturity, being able to help a child throughout their learning, coordination, anxiety control and improvement of their well-being, among other things. But, above all, it helps you to organize and structure your interior. There are several studies that demonstrate that music and its components produce patterns of brain activity, which leads to greater efficiency in terms of the functioning of the brain not only as a director of cognitive processes, but also as a regulator of the basic vegetative functions of the organism. When applying this tool to a child, whether to a greater or lesser degree, it is sufficiently important and effective to avoid triggering other problems of different types: psychological, social, driving and physiological.


Due to a lack of arguments to refute such facts, I limit myself to leaving here the mythical phrase of Henry Wadsworth Longfellow, "Music is the universal language of Humanity", it reaches everyone, in one way or another, and how lucky are we that there is a Vera in the world making sure of it?


M: The fact is, leading the life you lead, and after receiving wonderful words from people who witness your joy and giant heart, you are a hero. Would you say you have people in your life that you consider heroes?


V: All of them! Literally all of them. Each in their context, approach and contribution. I am privileged, life has given me the honor of bringing the people I bring with me every day. True heroes and heroines to whom I have always resorted to everything. No one is happy alone, and I am extremely happy with those around me. We are always together on easy days and especially on the not so easy days. Sometimes from a distance, sometimes from the “next door”. The secret is to smile and make smile, until your cheeks hurt. Hehehe


It was with this idea that I wanted to end this post. Throughout the conversation with Vera, one thing that was never missing was a spotlight, connected by her, directed to the people who accompany her and help her do everything she does on a professional level (another testimony to the wonder of a person that is truly). And the most crucial of all is undoubtedly Nuno (I said you would want to fix his name too). Dedicated friend, fearless leader and talented musician, Nuno is the partner that we would all like to have in our projects. Said by Vera, nothing would happen without him (we could see that in the course of this post), which is why, between the two of us - Vera and me, it was decided that he would include him in this tribute, as an honourable mention to the hero of the month of April. I present, then, Ney, faithful partner and the element of surprise of the pair of heroes that I present to you today. He is inspired by Nuno, of course, and is here to recognise the value of both his work and the person he is - none of both go unnoticed. It is also here to reinforce the idea that together, we go further. What we lack in some, we can find in others, and it is the joining of forces that allows us to make this world an even just a little bit better place.


I hope this post will bring you a little light and joy in the middle of this quarantine, which is getting complicated for everyone. Getting to know Vera and Nuno, at least to me, brought me a lot of compassion and hope, I'm not sure how to explain it - it is possible that I have exhausted today's word ceiling. May it be here present and reassured my eternal gratitude, both to Nuno and Vera. To Nuno, for his availability and initiative, allowing me to meet two inspiring people, even if the objective was to meet only one, and for letting me be part of this tribute; to Vera, for the affection, for the attention, for the energy, and for the wonder that came from listening to her. To the both of you, at the same time, for all the work you do, you’re a real inspiration, and I will take you with me throughout this entire project. Welcome to the team!


Oh, of course, I can't pass up a huge thanks to those who sent me their testimony to constitute Vera's surprise; reading your words just proved everything I came to know about her. Thank you.


And we reached the end, heroes, of another post. It was the first time that I honoured someone at the request of a third person, and I must say that I am very proud to have participated in this adventure. Highest point of 2020, so far.


See you soon, heroes!




Links you might want to investigate:

Testimonies, to Vera:

— PDF: https://drive.google.com/open?id=1CLJvHSIl_Tx8QXXnOfz6F3hLtpzGuZhF

EMA - School of Music and Arts:

— Website: https://www.ema-escolademusica.com/

— Facebook: https://www.facebook.com/EMAescolademusica

— Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCKIPgxYPTUbShWdKXO_U2ng/videos

Humanisation Group of the Paediatric services at the Garcia de Horta Hospital, Baleia Ondinha:

— Facebook: https://www.facebook.com/ondinha.hgo/

— Hymn: https://www.youtube.com/watch?v=RFghssTe4Rg

Playing Musicians:

— Interactive concerts: https://www.facebook.com/nuno.amaral.1232/videos/10207936282836868/UzpfSTEwMDAwMDk4NjgwOTUzNToxMzQ5MzI0NDM1MTEwNDM3/ ; https://www.youtube.com/watch?v=M9529CSDT98

— News soon: https://www.facebook.com/EMAescolademusica/photos/a.638315712891256/2266358970086914/?type=3&theater

Henry Wadsworth Longfellow:

— Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Wadsworth_Longfellow

— Poetry Foundation: https://www.poetryfoundation.org/poets/henry-wadsworth-longfellow

— Outre-mer; a pilgrimage beyond the sea : https://books.google.pt/books?id=7QAIAAAAQAAJ&q=%22is+the+universal%22&redir_esc=y#v=snippet&q=%22is%20the%20universal%22&f=false

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