Wamathy

[ PT ]


Alô, alô, heróis!


Espero que estejam bem, a aproveitar os raios de sol e os recantos de perfeição natural que o nosso país tem para oferecer (sempre em segurança).


Está a ser difícil, este ano - é um sentimento generalizado. Se não por uma coisa, por outra. Eu que o diga. Mas não vos quero ter aqui hoje para pensarmos nisso, temos o resto das 23h e 50min do dia para o fazer. Agora, neste mais preciso momento, quero que me deixem apresentar-vos alguém que não só vos iluminará o dia, como restaurará um pouco da vossa esperança na Humanidade. Conheçam a Heroína do mês de agosto, Wamathy. Inspirada na sonhadora, incomparável, pioneira e resiliente guerreira, Wangari Maathai - uma mulher queniana, ambientalista, professora doutorada e Nobel da Paz.


Comecemos pelo princípio: Wangari Muta Maathai nasceu no ano de 1940, em abril, na cidade de Nyeri no Quénia (se quisermos ser ainda mais exatos, podemos dizer que nasceu na aldeia de Tetu). Nos anos 60, foi um dos 800 jovens africanos promissores que receberam uma bolsa de estudo da Kennedy Airlift para estudar numa faculdade dos Estados Unidos. Formou-se em Ciências Biológicas, inspirando-se no Movimento dos Direitos Civis. Estudou também, após o seu tempo nos EUA, no Quénia e na Alemanha.


Wangari Maathai foi a primeira mulher da África Oriental e Central a obter um doutoramento e trabalhar como professora. Foi também professora assistente e presidente do Departamento de Anatomia Veterinária na Universidade de Nairobi. É considerada um dos maiores nomes da conservação ambiental do mundo, e o reconhecimento deve-se muito ao seu projeto Green Belt Movement.


Este projeto surgiu de um compêndio de necessidades das comunidades quenianas familiares a Maathai. A professora iniciou o percurso explicando a importância de plantar árvores para combater a desflorestação e depois, juntamente com o Conselho Nacional de Mulheres do Quénia, com o objetivo de dar resposta à fala de energia e água que tanto afetava as camponesas da região, fundou o Green Belt Movement. É um movimento que visa promover a conservação climática e ambiental e fortalecer comunidades e o seu sistema democrático e sustentável. Desde o seu início, o movimento já plantou mais de 51 milhões de árvores no Quénia e empregou dezenas de pessoas, muitas delas mulheres (algo muito importante para Maathai).


O GBM (Green Belt Movement) encorajou as mulheres a trabalharem juntas para cultivar campos e plantar árvores para reter o solo e armazenar água da chuva. Tudo para conseguirem a comida e lenha que necessitavam nas suas vidas. Faça-se notar que todo o trabalho realizado a partir do GBM era remunerado, algo pouco usual para as mulheres quenianas na altura. Um ato pequeno, mas revolucionário, tendo em conta que as árvores preservam a água da chuva e fornecem comida e combustível tão necessários à vida humana. Quase 1 milhão de pessoas já participaram neste movimento.

Pouco depois de começar o projeto, Maathai viu que por trás das dificuldades diárias como a degradação ambiental, a desflorestação e insegurança alimentar - havia questões mais profundas de poder, privação de direitos e uma perda dos valores tradicionais que anteriormente permitiam às comunidades proteger o ambiente que as envolvia. O GBM acabou por introduzir seminários de educação cívica e ambiental para incentivar as pessoas a avaliar as suas circunstâncias políticas, económicas e ambientais. Estes seminários mostraram-se extremamente úteis para uma pequena revolução ambiental no Quénia.


Tenho também a dizer-vos que a professora Maathai recebeu vários prémios pelo seu espírito inovador e pelos resultados inegáveis do seu esforço e preocupação, entre eles o Prémio Right Livelihood (homenageia e apoia pessoas que trabalham em soluções para mudanças urgentes e necessárias no mundo actual), o Prémio Ambiental Goldman (atribuído anualmente a uma base ambiental de ativistas, um de cada uma das regiões geográficas: África, Ásia, Europa, Ilhas do Pacífico das Nações Unidas, América do Norte e do Sul e América Central) e o Prémio Indira Ghandi (prestigioso prémio concedido anualmente, pelo Indira Gandhi Memorial Trust, a indivíduos ou organizações reconhecidas pelos esforços criativos para promover a paz internacional). Foi também reconhecida pela Legião de Honra Francesa. Em 2004, foi-lhe concedido o Prémio Nobel da Paz pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz no Quénia e em África e, em 2005, onze chefes de Estado da região do Congo nomearam-na embaixadora da Boa Vontade para o Ecossistema Florestal da Bacia do Congo. Reconhecimento não lhe faltou (não imaginam o quanto isso me deixa feliz) mas, ainda assim, Wangari Maathai é um nome que não chega a muita gente.


Talvez notem que é o segundo ano consecutivo em que o herói do mês de agosto é alguém relacionado com as questões ambientais e de sustentabilidade. No ano passado homenageei o meu avô, cuja vida e carreira se centram na proteção das florestas portuguesas e na investigação de novas espécies. Este ano trago-vos a Wangari Maathai, uma mulher de força que não permitiu que nenhuma circunstância a impedisse de, realmente, fazer a diferença na sua comunidade. Por causa dela, inúmeras mulheres conseguiram recuperar água fresca, alimento e combustível para assegurar um bom nível de vida às suas famílias, milhões de árvores foram plantadas e um ecossistema recuperado e salvo. Agosto é um mês crítico em Portugal, no que toca a incêndios e à destruição ambiental no geral que vem com o verão, o que é algo que me preocupa desde pequena, pelo que não creio que poderei deixar passar a oportunidade de partilhar pessoas que criaram soluções do mais básico (como é plantar uma árvore) ao mais complexo (como a invenção de garrafas de água - e muitas outras coisas - biodegradáveis) para salvar a Mãe Natureza. Wangari Maathai faleceu no ano de 2011, em Nairobi, devido a complicações com um cancro nos ovários, pelo que entrevistá-la se torna praticamente impossível. Quero deixar-vos, no entanto, com uma frase dita por si, com a qual concordo a 100%:




"Estou muito consciente do facto de que não se pode fazer isto sozinho. É um trabalho de equipa. Ao fazer sozinho, corre o risco de que mais ninguém o faça."




Sozinhos podemos alcançar muita coisa, não se enganem. As nossas limitações não nos impedem de alcançar sonhos. Podemos demorar mais tempo, pode ser muito mais difícil para nós do que para outras pessoas, mas chegamos lá. De uma maneira ou de outra, seja como for. Peço-vos, no entanto, que não subestimem o poder de trabalhar com outras pessoas que acreditam exatamente na mesma coisa que nós; que pretendem deixar este mundo bem melhor do que como o encontraram. Chegamos ainda mais longe, e os frutos colhidos saberão igualmente bem.


Agora que vos dei a conhecer mais uma pessoa que mudou o mundo, de uma maneira pequena e grande ao mesmo tempo, vou de férias, heróis, volto em setembro. Que a Wamathy vos permita não sentir demasiadas saudades minhas, pois há tanto para descobrir sobre ela e sobre a heroína real que me inspirou a criá-la... Quando derem conta estou de novo aqui, com mais uma história absolutamente inspiradora.


Falamos de novo em breve, heróis! E boas férias a quem ainda está para as desfrutar!






Links úteis:

— Wangari Maathai - Biographical, The Nobel Prize: https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/biographical/

— Wangari Maathai, Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Wangari_Maathai

— The Green Belt Movement: https://www.greenbeltmovement.org/

— "Wangari Maathai: A ambientalista queniana que ganhou o Nobel da Paz", de Sophie Mbugua: https://www.dw.com/pt-002/wangari-maathai-a-ambientalista-queniana-que-ganhou-o-nobel-da-paz/a-52297058

— "Tree planter, Nobel Prize laureate, revolutionary: Prof. Wangari Maathai at 80", by Ecosia: https://www.youtube.com/watch?v=yC9wZTJmDqA

— Wangari Maathai - Women in African History: https://en.unesco.org/womeninafrica/wangari-maathai/biography

— "Wangari Maathai’s reforestation revolution (feat. your trees!)", by Ecosia: https://blog.ecosia.org/wangari-maathai/







[ EN ]


Hello hello, heroes!


I hope you're doing well, enjoying the rays of sunshine and the natural perfection that your country has to offer (always safely).


It's been tough, this year - it's a generalised feeling. If not for one thing, for another. Trust me, I know. But my aim is not to have you here today thinking about that, we have the 23h and 50min left of the day to do so. Now, in this most precise moment, I'd like you to allow me to introduce you to someone who will not only brighten your day, but will also restore some of your faith in Humanity. Meet August's hero of the month, Wamathy. Inspired by the dreamer, incomparable, pioneer and resilient warrior, Wangari Maathai - a Kenyan woman, environmentalist, doctoral professor and Peace Nobel Prize winner.


Let's start from the beginning: Wangari Muta Maathai was born in April 1940, in the city of Nyeri, Kenya (if you'd like even more accuracy, we can say that he was born in the village of Tetu). In the 1960s, she was one of the 800 promising young Africans who received a Kennedy Airlift scholarship to study at a college in the United States. She graduated in Biological Sciences, taking inspiration from the Civil Rights Movement. She also studied, after her time in the United states, in both Kenya and Germany.


Wangari Maathai was the first woman from East and Central Africa to obtain a doctorate and work as a professor. She was also an assistant professor and president of the Department of Veterinary Anatomy at the University of Nairobi. She's said to be one of the biggest names in environmental conservation in the world, and her recognition owes much to her very own Green Belt Movement project. This project came out of a compendium of needs from Kenyan communities familiar to Maathai. The professor started the project's journey by explaining the importance of planting trees to combat deforestation and then, together with the Kenya National Council of Women, in order to respond to the energy and water shortage that affected the region's population, she founded the Green Belt Movement. It's a movement that aims to promote climate and environmental conservation and strengthen communities and their democratic and sustainable system. Since its inception, the movement has planted over 51 million trees in Kenya and employed dozens of people, many of them women (something very important for Maathai).


The GBM (Green Belt Movement) encouraged women to work together to cultivate fields and plant trees to retain soil and store rainwater. Everything to get the food and firewood they needed in their lives. It should be noted that all work done from GBM was paid, something unusual for Kenyan women at the time. A small but revolutionary act, given that trees preserve rainwater and provide food and fuel so necessary for human life. Almost 1 million people have already participated in this movement. Shortly after starting the project, Maathai saw that behind daily difficulties such as environmental degradation, deforestation and food insecurity - there were deeper issues of power, disenfranchisement and a loss of traditional values ​​that previously allowed communities to protect the environment that involved them. The GBM ended up introducing civic and environmental education seminars to encourage people to assess their political, economic and environmental circumstances. These seminars proved to be extremely useful for a small environmental revolution in Kenya.


I also have to tell you that professor Maathai has received several awards for her innovative spirit and for the undeniable results of her effort and concern, including the Right Livelihood Prize (it honours and supports people working on solutions for urgent and necessary changes in the world today), the Goldman Environmental Prize (annually awards an environmental base of activists, one from each of the geographic regions: Africa, Asia, Europe, United Nations Pacific Islands, North and South America and Central America) and the Indira Ghandi Prize (prestigious award granted annually by the Indira Gandhi Memorial Trust to individuals or organisations recognised for their creative efforts to promote international peace). She was also recognised by the French Legion of Honor. In 2004, she was awarded the Nobel Peace Prize for her contribution to sustainable development, democracy and peace in Kenya and Africa, and in 2005, eleven heads of state in the Congo region appointed her as Goodwill Ambassador for the Congo Basin Forest Ecosystem. Recognition was not lacking (you have no idea how happy that makes me), but still, Wangari Maathai is a name that does not reach that many people.


You may notice that it's the second consecutive year that the August hero of the month is someone related to environmental and sustainability issues. Last year I paid tribute to my grandfather, whose life and career are focused on protecting Portuguese forests and researching new species. This year I bring you Wangari Maathai, a woman of strength who has not allowed any circumstance to prevent her from really making a difference in her community. Because of that, countless women were able to recover the fresh water, food and fuel necessary to ensure a good standard of living for their families, millions of trees were planted and an ecosystem was recovered and saved. August is a critical month in Portugal, when it comes to fires and environmental destruction in general, which all come along with summer. That's something that worries me since I was little, so I don't think I can pass up the opportunity to share people who worked on solutions from the most basic (like planting a tree) to the most complex (like the invention of water bottles - and many other things - biodegradable) in order to save Mother Nature. Wangari Maathai died in 2011, in Nairobi, due to complications with ovarian cancer, so interviewing her is practically impossible. I want to leave you, however, with a quote by her, with which I 100% agree:




"I am very aware of the fact that you cannot do this alone. It is a team effort. When you do it alone, you risk that no one else does it."




Alone we can achieve a lot, make no mistake. Our limitations do not prevent us from achieving dreams. We can take longer, it can be much more difficult for us than for other people, but we can eventually get there. In one way or another, in any case. I ask you, however, not to underestimate the power of working with other people who believe in the exact the same thing as you do; who intend to leave this world much better than how they found it. We can get even further, and the harvested fruits will taste just as delicious.


Now that I have introduced you to another person who has changed the world, in both a big and small way at the same time, I am going on vacation, heroes. I'll be back in September. May Wamathy help you not to miss me too much, as there is so much to discover about her and the real hero that inspired me to create her... Before you realise it, I'm here again, with another absolutely inspiring story.


Talk to you soon, heroes! And a great vacation to all of you who have yet to enjoy them!







Useful links:

— Wangari Maathai - Biographical, The Nobel Prize: https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/biographical/

— Wangari Maathai, Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Wangari_Maathai

— The Green Belt Movement: https://www.greenbeltmovement.org/

— "Tree planter, Nobel Prize laureate, revolutionary: Prof. Wangari Maathai at 80", by Ecosia: https://www.youtube.com/watch?v=yC9wZTJmDqA

— Wangari Maathai - Women in African History: https://en.unesco.org/womeninafrica/wangari-maathai/biography

— "Wangari Maathai’s reforestation revolution (feat. your trees!)", by Ecosia: https://blog.ecosia.org/wangari-maathai/

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